Agência ANSA
BOGOTÁ - O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderón, desafiou ex-chefes paramilitares a apresentarem provas que sustentem a acusação dele ter permitido e incentivado a criação de grupos ilegais na capital do país.
- Se o bandido tem uma prova, uma apenas, que coloque sobre a mesa, estou muito tranquilo - declarou Santos Calderón a rádios locais.
Em 2007, o então líder do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), Salvatore Mancuso, assegurou ter participado de uma reunião com o vice-presidente e seu primo, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, realizada para discutir a formação de uma organização armada que freasse o avanço das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Posteriormente, outros chefes paramilitares, como Fredy Rendón Herrera, Rodrigo Tovar e Diego Fernando Murillo, confirmaram a versão de Mancuso.
O caso havia sido investigado e arquivado pelo Ministério Público, que depois reabriu o processo, pois as provas não foram analisadas com a devida profundidade.
Por isso, o órgão pediu que o vice-presidente apresente um depoimento livre na primeira semana de março sobre as acusações.
Santos Calderón admitiu ter se encontrado por três vezes com Mancuso e o fundador dos paramilitares, Carlos Castaño, mas indicou que o fez na condição de jornalista e "defensor" dos direitos humanos.
- Essas são as reuniões que foram públicas, que, por um lado, tiveram relação com situações humanitárias e, por outro, jornalísticas. Não teve nada a ver com essa sacanagem que dizem - argumentou o vice-presidente.
Com exceção de Rendón, todos os outros chefes foram extraditados para os Estados Unidos em 2008, após cumprirem os compromissos determinados em um processo de paz negociado junto ao governo entre 2003 e 2006, mediante o qual mais de 31.000 combatentes deixaram as armas.
10:43 - 10/02/2010