Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que o governo está acompanhando o impacto cambial sobre a produção, mas descartou que tenha sido detectado algum risco de insolvência para setores ou empresas.
– Há preocupação com a apreciação da taxa de câmbio que afeta produtos manufaturados e setores muito competitivos, cujos preços internacionais não estão tão favoráveis, começam também a sofrer com o câmbio apreciado.
Coutinho disse, no entanto, que o dólar desvalorizado está comprimindo a margem de lucro de muitos setores. “É uma preocupação que o governo tem em mente. Isso já produziu medidas no passado recente e continuará preocupando o governo”, acrescentou o presidente BNDES.
Os setores exportadores de manufaturados em geral perdem competitividade. “Alguns setores do agronegócio estão com preços não favoráveis e passam por um processo de compressão de margem, mas isso não significa ainda inviabilidade”, afirmou.
Passada a crise global, o objetivo do banco é recuperar os níveis de investimento no país, de acordo com o executivo. As medidas serão de reativação do investimento.
– O objetivo agora é estimular decisões de investimento para torná-lo a principal força de liderança do crescimento brasileiro. Essa é a nossa agenda – declarou.
Nesta semana, o BNDES anunciou empréstimo recorde de mais de R$ 4 bilhões à operadora de telefonia Oi. Segundo o presidente do banco, a instituição apoiará a expansão das operadoras de telefonia do país que pretendem investir, nos próximos quatro anos, mais de R$ 30 bilhões.
Recorde
Os desembolsos do BNDES atingiram o nível recorde de R$ 107,5 bilhões nos primeiros 10 meses de 2009, informou a instituição. Os empréstimos são 50% maiores que no mesmo período de 2008 e foram cedidos principalmente aos setores de indústria e infraestrutura.
Entre janeiro e outubro, foram R$ 183,5 bilhões em consultas ao banco de fomento e R$ 129,9 bilhões de aprovações, outro valor recorde. A indústria recebeu 49% do total dos desembolsos de janeiro a outubro, com R$ 52,6 bilhões, enquanto o setor de infraestrutura recebeu outros R$ 36 bilhões.
Com agências
22:19 - 24/11/2009