Fabiana Leal , Portal Terra
PORTO ALEGRE - A técnica em enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos, foi indiciada por tentativa de homicídio qualificado (por envenenamento e de maneira continuada) a 11 bebês na maternidade do Hospital Universitário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas (RS), nesta segunda-feira. Com 700 páginas, o inquérito foi entregue pelo delegado Pacífico na 1ª Vara Criminal de Canoas. O caso ficará com o juiz Cristiano Vilhalba. Se condenada, a pena poderá chegar a 30 anos em regime-fechado, o máximo de tempo permitido no Brasil.
A técnica está presa na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre, desde o dia 14 de novembro. A prisão ocorreu após o hospital ter em mãos o resultado da análise da coleta de sangue dos bebês, que apontou a existência de medicamentos não prescritos. A droga injetada deixava os bebês fracos, desfalecidos e com parada respiratória. Segundo o delegado, também foi levada em consideração a escala de serviço de Vanessa - quando ela estava de folga, nenhuma debilidade foi verificada nos recém-nascidos. Além disso, quando tiveram problemas, a maioria dos bebês estava sob a supervisão da técnica.
Para o delegado Guilherme Pacífico, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, Vanessa agiu sobre fortes emoções, pois tem histórico de problemas crônicos de convivência familiar (com os pais), forte apego religioso e não realizou o sonho profissional - de se tornar médica.
Laudo conclusivo divulgado pelo Instituto Geral de Perícia (IGP) nesta segunda-feira apontou que o medicamento encontrado em uma seringa na pochete da técnica era morfina, comprovando a primeira versão de Vanessa à polícia. Após admitir que drogou os bebês, a técnica negou que tivesse sedado os recém-nascidos.
Segundo os pais dos bebês, a técnica em enfermagem era uma ótima profissional, que estava sempre se antecipando a possíveis problemas. Mesmo eles estando bem de saúde, ela já começava a fazer questionamentos aos médicos e aos enfermeiros. "Como ela ministrava os sedativos, sabia que iam passar mal e precisar dela", afirmou o delegado.
Além dos 11 casos que constam no inquérito, outros dois bebês teriam sido sedados por Vanessa, mas também se recuperaram. A técnica deverá passar por exames mentais. "Se não for constatado nenhum problema, fica só a monstruosidade do ato", afirmou o delegado.
18:41 - 23/11/2009