Jornal do Brasil
BAHIA - Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, condenaram sexta-feira a atitude de Israel de construir mais 900 casas em um assentamento palestino em Jerusalém Oriental. Abbas, que faz uma curta visita ao país, também aproveitou a ocasião para dar as “boas-vindas” ao Brasil como um mediador da crise no Oriente Médio. O líder palestino definiu o presidente como um bom interlocutor, pelo “respeito” e a “admiração” que desperta na comunidade internacional.
Em Salvador, onde participou das comemorações do Dia da Consciência Negra, Lula e Abbas se encontraram pela manhã, durante mais de uma hora e meia. A paz no Oriente Médio ocupou grande parte da discussão. Lula foi taxativo ao afirmar que “o Brasil entende que deva parar imediatamente qualquer novo assentamento em território palestino”.
– As fronteiras do futuro Estado palestino devem ser preservadas. Os palestinos devem ter maior liberdade de circulação nos territórios palestinos ocupados. A situação humanitária na Faixa de Gaza é insustentável. A dignidade humana não pode continuar a ser ignorada – declarou Lula.
Para Abbas, Israel está infringindo resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) ao recusar-se a suspender qualquer construção em território palestino.
– Se o governo israelense continuar construindo em territórios ocupados e especialmente em Jerusalém ocupada, que consideramos a capital da Palestina, isso quer dizer que ele está complicando a paz, pondo todos os empecilhos no caminho da paz e significa que ele quer que a gente se distancie da paz – destacou o líder palestinos.
Reafirmando o que já havia dito durante a visita do presidente israelense, Shimon Peres, na semana passada, Lula também pediu o congelamento dos assentamentos na Cisjordânia, a preservação das fronteiras de um futuro Estado palestino e liberdade de circulação nos territórios ocupados por Israel.
– Não precisamos inventar soluções mágicas para a questão palestina, os caminhos são conhecidos – disse o presidente.
Lula também defendeu a inclusão de um maior número de países no processo de paz na região, além dos que tradicionalmente estão envolvidos, e chegou a ressaltar a importância da criação de um Estado Palestino.
– A paz justa e duradoura na região depende do estabelecimento de um Estado palestino próspero, coeso e sem restrições, que garanta a segurança de Israel e tenha os seus direitos e os de sua população respeitados – disse. – A comunidade internacional não pode se conformar com menos do que isso.
Em menos de 15 dias, o Brasil terá recebido três lideranças de destaque nos conflitos do Oriente Médio. O encontro com Mahmoud Abbas ocorreu uma semana após a vinda do presidente Israel e três dias antes do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chega domingo ao Brasil.
22:38 - 20/11/2009