Jornal do Brasil
TEGUCIGALPA - O presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou sexta-feira que pretende deixar a Presidência por uma semana para não interferir no processo eleitoral do país, mergulhado em uma crise política desde junho. Micheletti garantiu que entregaria o poder a ministros de seu gabinete entre os dias 25 de novembro e 2 de dezembro, mas deixou claro que não tinha planos de permitir a restituição de Zelaya, deposto da Presidência em 28 de junho. O governo dos Estados Unidos se manifestou apoiando a decisão de Micheletti.
– Meu propósito é de que a atenção de todos os hondurenhos e hondurenhas esteja concentrada no processo eleitoral, e não na crise política – justificou Micheletti.
O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, comentou a intenção de Micheletti de se afastar provisoriamente, rebatendo que “do ponto de vista legal, ele nem tinha que ter estado no governo”.
Brasil
O Brasil apoia a volta ao poder do líder deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e pressiona para que isso ocorra antes das eleições, marcadas para o dia 29. Nesta semana, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, afirmaram que seus respectivos não reconhecerão o pleito em Honduras que antecedam a restituição do líder deposto.
Zelaya, refugiado desde setembro na embaixada brasileira, em Tegucigalpa, também reafirmou sua intenção de impugnar as eleições enquanto não voltar à Presidência. Na quinta-feira, ele propôs o adiamento do pleito até que possa ser “legitimado” internamente e pela comunidade internacional.
– Nós lhe pedimos que vá embora para sempre – disse o líder deposto sexta-feira, se dirigindo a Micheletti.
Em meio a uma série da ameaças por parte de grupos pró-Zelaya e contra as eleições, o governo de Roberto Micheletti ordenou um desarmamento geral da população a partir de segunda-feira. A decisão foi divulgada pelo ministro de Imprensa, Rafael Pineda Ponce.
– Decidimos por um desarmamento geral a partir de 23 de novembro, para que qualquer pessoa que possa prejudicar a vida dos demais ou provocar outras ações contra o processo eleitoral não o faça – disse Ponce, citando a resolução tomada durante uma sessão do Conselho de Ministros, na madrugada de quinta-feira. – Não importa se (os proprietários de armas) têm permissão, a arma será retida, registrada e devolvida a seu dono (depois do pleito).
Micheletti pediu ao líder deposto para evitar um derramamento de sangue durante as eleições.
– Mandamos a Zelaya uma saudação respeitosa e lhe peço de todo coração que evite que uma gota de sangue seja derramada – disse.
Censura
A emissora Cholusat Sul Canal 36, um dos poucos veículos de imprensa que rejeita o golpe contra o presidente hondurenho, fez nova denúncia alegando que o governo de Micheletti interrompeu seu sinal “com um transmissor paralelo”.
Segundo o diretor da emissora, que responsabilizou “terroristas pagos pelo governo” pela interrupção, a transmissão foi substituída por “filmes pornográficos e de faroeste”.
22:34 - 20/11/2009