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Sociedade Aberta

Precisamos mais do que praças esportivas

Thiago Scuro*, Jornal do Brasil

RIO - O Brasil está vivendo um momento único no esporte. Por mais que não percebamos diretamente os efeitos desse movimento, o fato de estarmos organizando a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e a Olimpíadas de 2016 nos coloca no alvo de investidores do mundo inteiro, em diversos níveis.

O fato é que até o momento exploram-se muito as necessidades de arenas e praças esportivas para a realização dos jogos, mas estamos esquecendo a infraestrutura básica para a realização destes eventos.

A Copa do Mundo não será somente das cidades-sede, será das sub-sede, que, aliás, é um espaço muito movimentado durante o Mundial e que ainda não recebeu a devida importância para 2014 do País como um todo. O mesmo conceito vale para os Jogos Olímpicos. Segundo levantamento da FIA (Fundação Instituto de Administração), 52% dos empregos gerados em função da Olimpíada serão fora do Rio de Janeiro. Com esse dado, podemos perceber o efeito pulverizado em todo o Brasil.

Estes grandes eventos, que trazem em seus chapéus a Copa das Confederações e a Para-Olimpíadas, movimentarão a indústria e a economia do país de forma geral: teremos grande impacto na construção civil, no turismo, na hotelaria, entre outros setores. De acordo com a pesquisa da FIA, serão 55 setores da economia impactados com os Jogos.

Para aproveitarmos ao máximo esses resultados e principalmente o legado deixado ao país, precisamos focar nossas atenções para oferecermos melhores condições para a indústria crescer, e essas ações passam pela demanda de energia elétrica, insumos para o setor, maquinário, mão-de-obra etc.

Se observarmos os efeitos do blecaute ocorrido nessa última semana, encontraremos diversas razões para voltar as atenções para essas necessidades. Independente dos motivos, o fato é que o país cresce de forma acentuada – a previsão é de crescimento na ordem de 6% para 2010. Os jogos alavancarão esses números nos próximos anos e precisamos criar as bases para o sucesso do Brasil nessas realizações.

Precisamos envolver todos os setores da economia. Não basta falar em arenas, praças esportivas, mão de obra especializada em esporte, entre outras ações únicas. Precisamos envolver outras áreas nessa discussão, trazer a indústria e mostrar as necessidades que teremos para estarmos prontos para atender a demanda. Ou o efeito das Olimpíadas e da Copa na economia será negativo.

* Thiago Scuro é professor do MBA Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios E-mail: thiago@brunorosports.com.br.

21:34 - 20/11/2009












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