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Rio

Trem do funk agita os trilhos da Central do Brasil até a Baixada

Thiago Jansen, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - No feriado do Dia da Consciência Negra, o primeiro Trem do Funk realizado na cidade levou o batidão para cima dos trilhos, onde, apesar do aperto e do forte calor, cerca de 1.800 pessoas caíram na dança ao som dos grandes nomes do gênero musical na cidade, como os Mc's Cidinho, Buchecha, Créu, Sapão, Menor do Chapa, Bruninha, Jonathan Costa, e até do sambista Neguinho da Beija-flor.

A festa começou por volta das 10h, na estação Central do Brasil, onde um carro de som da Furacão 2000 – produtora do evento – convidava os transeuntes a participarem do baile sobre os trilhos. Às 11h20, os passageiros entraram na composição e o trem seguiu viagem em velocidade reduzida até o município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde a prefeitura montou um grande palco e uma tenda para receber doações às vítimas das enchentes da última semana na região.

– Acho essa iniciativa maravilhosa. O funk é lazer e cultura. É dever de todo brasileiro abraçar isso – afirmou Fátima Fausta Portalez, 53, moradora de Laranjeiras que foi “prestigiar” o evento com o marido, o filho, duas noras e o neto, de apenas 2 anos. – Ainda que eu não freqüente bailes, o funk faz parte da minha vida já que meu filho é Mc.

Durante a viagem, grandes caixas de som instaladas em cada um dos vagões reproduziam os pacadões clássicos e as novidades do gênero cantadas pelos Mc's no último vagão do trem. No percurso, a composição fez somente três curtas paradas, nas estações do Jacarezinho, Mercadão de Madureira e Pavuna, para que grupos locais de funkeiros embarcassem. Nem o pouco espaço e o forte calor, intensificado pela falta de ar condicionado nos vagões foram suficientes para diminuir a animação dos passageiros durante o passeio de uma hora.

A segurança do evento foi garantida por funcionários da Supervia que, presentes em todos os vagões, impediam que os mais animados dançassem sobre os bancos ou colocassem partes do corpo para fora das janelas abertas – quesito este em que não tiveram sucesso.

Mesmo quem nunca havia pisado em um baile funk antes acabou rendendo-se à animação da festa.

– Li sobre o Trem do Funk em um jornal e decidi vir por curiosidade. Achei muito legal e diferente. Esta é a primeira vez que vejo uma festa dentro de um trem em movimento – afirmou o colombiano Jonatan Gutierrez, 28, morador do Rio há nove meses.

Para a sul-matogrossense, Cirlani Terenciani, 22, amiga de Jonatan, o evento foi interessante para desfazer a má imagem que tinha do gênero.

– Gostei bastante porque o funk muitas vezes é um gênero associado à violência e às drogas. Então você vem numa festa dessa e acaba se surpreendendo. Vi famílias inteiras se divertindo ao som do funk, sem qualquer confusão – contou Cirlani, moradora da cidade há apenas quatro meses. – Espero que o evento se repita, mas, das próximas vezes, com ar condicionado.

Inspirado no tradicional Trem do Samba – que há 13 anos reúne os bambas do gênero numa viagem da Central a Oswaldo Cruz, todo o dia 2 de dezembro – o Trem do Funk foi uma iniciativa do secretário de Transporte do Rio, Júlio Lopes, e do secretário de Cultura de Belford Roxo, e criador da Furacão 2000, Rômulo Costa, com o apoio da concessionária Supervia. De acordo com os organizadores, o objetivo do evento é firmar o ritmo – reconhecido como patrimônio cultural pela Assembléia Legislativa do Rio em setembro – como uma manifestação cultural popular e legítima da cidade, além de promover a integração social de seus fãs e artistas.

– Embora o ritmo tenha caído nas graças do mundo, ainda existe muita resistência aqui no Rio. Eventos como este são importantes para mostrar que o funk é, sim, uma vertente cultural e merece respeito – afirmou Rômulo Costa.

20:40 - 20/11/2009









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