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BRASÍLIA - Uma fonte da equipe de advogados de defesa de Cesare Battisti afirmou nesta sexta-feira que o italiano "tem a decisão irredutível" de prosseguir com a greve de fome que iniciou na semana passada, quando ainda aguardava o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua extradição. A decisão sobre a extradição acabou aprovada na quarta-feira. As informações são da Ansa.
De acordo com a fonte, embora tenha sido recomendada a suspensão da medida, o ex-ativista, condenado à prisão perpétua em seu país, "mostrou-se muito seguro" da decisão, que considera política.
Segundo o integrante da equipe de defesa, Battisti continua a receber acompanhamento médico na Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está detido, e deixou de tomar soro. Segundo a testemunha, ele está magro e abatido.
Na quarta-feira, após três sessões, o STF concluiu o julgamento do pedido de extradição do ex-ativista, solicitada pela Itália. Cinco de nove ministros votantes entenderam que ele deve cumprir a pena à qual foi condenado em seu país. Outros quatro ratificaram o refúgio político concedido a Battisti em janeiro pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.
Em seguida, pelo mesmo placar de cinco votos a quatro, a corte preferiu deixar sob a responsabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a palavra final sobre o caso. O chefe de Estado terá, desta forma, autonomia para ratificar ou não o parecer do STF.
Nesta sexta-feira, em uma entrevista concedida a jornalistas da Bahia, onde recebe o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Lula revelou que sua decisão já está tomada, mas só será divulgada após receber o posicionamento formal do STF.
Segundo informações da Ansa, a fonte disse que Battisti encarou a decisão do Supremo "como uma vitória".
Apelos
Nos últimos dias, autoridades fizeram vários apelos para que Battisti desistisse da greve de fome, entre eles o presidente Lula, que voltou a tocar no assunto nesta sexta-feira, e o ministro da Justiça, Tarso Genro. Seu próprio advogado, Luís Roberto Barroso, deu a mesma orientação.
O italiano, relatou o membro da equipe de defesa, tomou conhecimento de alguns destes pedidos, mas ainda assim segue determinado a levar seu protesto adiante.
- Já disse para ele (Battisti) que pare com a greve de fome, porque eu já fiz greve de fome e é um ato de desespero ou de ignorância, eu jamais faria outra vez. Isso não ajuda ele, nós não estamos mais no momento de ficar recebendo esse tipo de pressão - disse Lula.
Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios ocorridos no fim dos anos 70, quando era integrante do grupo de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).
16:06 - 20/11/2009