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Sociedade Aberta

Cuidar da vida: Espiritualidade

Selvino Heck *, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O que precisa mudar no Brasil para termos uma vida melhor? Esta pergunta foi feita pelo escritório brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD Brasil) pela internet e em sete audiências públicas, com o objetivo de escolher o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil, a sair no início de 2010. Participaram 500 mil brasileiros de todas as idades, faixa social, sexo e escolaridade, via internet ou nas audiências.

O resultado da pesquisa surpreendeu. A receita dos brasileiros para uma vida melhor passa por valores como respeito, responsabilidade e justiça. Também foram citadas, honestidade, paz, consciência e ausência de preconceitos.

São estas as preocupações do Movimento Fé e Política que, dias 28 e 29 de novembro realiza em Ipatinga, MG, seu 7º Encontro nacional, como o tema Cuidar da Vida: Espiritualidade, Ecologia e Economia (informações: www.fepolitica.org.br; www.fepoliticamg.org.br) .

A busca por novos paradigmas (Sílvio Caccia Bava, Bem-vindas as novas ideias, Le Monde Diplomatique, out/2009) de produção e consumo, por um novo tipo de vida em sociedade, requer a apropriação da política pela cidadania, assim como a construção de novos espaços públicos para o debate sobre as alternativas para o desenvolvimento, debate bloqueado até agora pela visão economicista vigente, que exalta o crescimento e ignora seus efeitos na sociedade.

Exemplos? O Butão adotou nos anos 70 o conceito de Felicidade Interna Bruta. O princípio básico para garantir a felicidade é que a economia esteja a serviço do bem-estar da população. O objetivo é construir uma sociedade solidária e colaborativa, trabalhando para assegurar os direitos humanos no sentido amplo do termo. Os quatro pilares de uma sociedade feliz envolvem economia, cultura, meio ambiente e boa governança, em nove domínios: bem-estar psicológico, ecologia, saúde, educação, cultura, padrão de vida, uso do tempo, vitalidade comunitária e boa governança.

Outro exemplo: o conceito de desenvolvimento e Bem Viver de sociedades indígenas da região andina, especialmente Bolívia, idéia incorporada à nova Constituição. O desenvolvimento é um processo de mudanças qualitativas. Não contam apenas os bens materiais, mas outros elementos como o conhecimento, o reconhecimento social e cultural, os códigos éticos e espirituais de conduta, a relação com a Natureza, os valores humanos, a visão de futuro, etc. Isto é Bem Viver. A economia deve pautar-se pela convivência solidária, sem miséria, sem discriminações, garantindo um mínimo de coisas necessárias para todos. Bem Viver é a afirmação de direitos e garantias sociais, econômicas e ambientais: direito à vida digna, à saúde, alimentação e nutrição, água potável, moradia, saneamento ambiental, educação, trabalho, emprego, descanso e ócio, cultura física, vestuário, seguridade social, etc.

Temos mais palavras e exemplos: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10,10). Ou a comunidade primitiva dos cristãos: “A Assembleia dos fiéis tinha um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como seu o que possuía, mas tudo era comum. Não havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que tinham campos ou casas os vendiam e entregavam o dinheiro aos apóstolos, os quais repartiam a cada um segundo suas necessidades” (Atos 4, 32).

O Encontro de Ipatinga quer contribuir na construção de uma nova espiritualidade, para cuidar da vida, e que esteja perfeitamente integrada e sintonizada com a economia e a ecologia. Todos a Ipatinga.

* Assessor especial do gabinete do presidente da República e da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política

17:35 - 14/11/2009












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