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Internacional

Duas décadas de liberdade: comunismo sobrevive à Queda

Joana Duarte, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - As eleições livres ocorridas na Polônia em 4 de junho de 1989, que antecederam em pouco mais de cinco meses a Queda do Muro de Berlim e resultaram na derrota do Partido Comunista polonês, não chamaram a atenção do mundo; sequer foram objeto de notícia. O motivo, como conta o ex-embaixador brasileiro na China – mais tarde, na Alemanha – Roberto Abdenur, estava na Praça da Paz Celestial, em Pequim. A dramática filmagem do massacre de estudantes que participavam de uma passeata, imagens de corpos nas ruas e de estrondosos tanques foram divulgadas em todo o mundo, por ironia do destino, no mesmo dia da primeira eleição livre no bloco soviético. E abafaram o caso.

Já a Queda do Muro, cinco meses mais tarde, só não mereceu as manchetes dos jornais estatais chineses, conta Abdenur. Aquela imagem da Queda simbólica do comunismo europeu, afinal, poderia ter servido para realimentar a crise então vivenciada pelo Partido Comunista chinês (PCC).

Durante uma mesa-redonda sobre a Queda do Muro de Berlim, realizada quinta-feira, Abdenur defendeu que um dos efeitos positivos da derrubada do Muro foi dar sustentação ao regime chinês, “o único Partido Comunista da história que soube acompanhar e promover mudanças sem perder a liderança no processo”.

Isso não aconteceu por acaso. Segundo o embaixador, a China se dedicou a estudar a situação que ocorria em diferentes países comunistas, analisar e perceber os erros dos outros regimes.

Depois das eleições na Polônia, caíram todos os demais partidos comunistas da Europa, e o PCC foi o único capaz de se reinventar e flexibilizar o processo político sem aderir à democratização.

– Quando houve a Queda do Muro – revela Abdenur – muitos acreditavam que isso representaria o triunfo do capitalismo sobre o comunismo e os regimes autoritários. Mas os regimes autoritários não foram extirpados. A rigor, acredito que o PCC não é mais propriamente comunista, pois aprendeu com os erros de outros e deixou de ser apenas totalitário para tornar-se desenvolvimentista e autoritário. Certamente, não vai se tornar uma democracia à moda Ocidental.

18:49 - 07/11/2009









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