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Brasileirao 2009



Vasco vence Juventude (2 a 1) com 81 mil no Maracanã e volta à Série A

Jornal do Brasil

RIO - De 7 a 7, o Vasco renasceu em 11 meses. Recuperou, em seu torcedor, o orgulho de sair às ruas com a camisa estampada com a cruz de malta no peito. Contou com um grupo de jogadores que até pode não primar pela técnica, mas pôs o desafio desta temporada na ponta das chuteiras e demonstrou, em cada minuto, união, perseverança, vontade e dedicação a um gigante do futebol brasileiro. Os 81.904 privilegiados que foram ao Maracanã, neste sábado, viram a coroação de tudo: com os 2 a 1 sobre o Juventude, o clube de São Januário assegurou, nos números, o retorno à elite, seu lugar de fato e de direito. Na terça-feira, se vencer o Campinense, em Campina Grande (PB), o Vasco poderá garantir o título da Série B, mas depende de tropeços de Ceará e Guarani na rodada.

Em 7 de dezembro de 2008, após perder para o Vitória por 2 a 0, em São Januário, a equipe da Colina escreveu a página mais triste de seus 111 anos de história. A queda serviu para fortalecer, voltar a acreditar, ser feliz de novo. Essa foi a tônica das 34 rodadas que o Vasco disputou, até agora, na Segunda Divisão. Outra vez, num dia 7 – quis o destino – a equipe insere outro capítulo, agora as suas glórias. O 7 de novembro de 2009 marcará o resgate de um clube que sempre quebrou barreiras.

A frase do zagueiro Fernando, no túnel que liga o vestiário ao gramado do Maracanã, antes do jogo, foi emblemática:

– Trabalhamos muito para chegarmos até aqui. Agora, é a hora.

Ao subir para o campo, o time deparou-se com um estádio lotado de vascaínos, que não pararam de incentivar um minuto sequer. Pouco importou se a equipe não jogou bem. Em todo o jogo, errou muitos passes e quase complicou uma partida que parecia fácil. Logo aos dois minutos, Carlos Alberto foi derrubado na entrada da área. Paulo Sérgio acertou a barreira na cobrança da falta. O lateral-direito, de novo, apareceu aos nove. Após troca de passes entre Carlos Alberto e Elton, ele chutou fraco.

Na arquibancada, o vascaíno gritava, roía unhas, esperava o gol. Em campo, mesmo o capitão Carlos Alberto, símbolo desta retomada, falhava. Mas, apesar da tarde irregular da equipe, num calor de, pelo menos, 40 graus, a determinação sobrava em cada um dos 11 jogadores em campo com o uniforme vascaíno. Era aquela gana que saltava aos olhos.

Elton, o artilheiro do Vasco, deu o primeiro chute aos 22. A bola tocou o travessão, provocando “uhs” nos torcedores. Sete minutos depois, o alívio começa a dar o sinal no Maracanã. Ramon cruzou da esquerda, Elton tentou cabecear, mas acabou tocando a bola – em lance que o árbitro Nielson Dias não invalidou. A bola raspou o braço direito de Elton e sobrou para Adriano, meio sem jeito, marcar o gol de perna esquerda: 1 a 0.

– Acabou resvalando no meu ombro – tentou disfarçar Elton na saída para o intervalo.

O primeiro tempo foi dominado pelo Vasco, que, no entanto, não soube ampliar – ainda mais após o gol, que fez o Juventude, na briga para não cair para a Série C, perder o rumo na partida. Na etapa final, o panorama mudou. O time de Caxias do Sul voltou disposto a levar, pelo menos, um ponto do Maracanã. Aos quatro minutos, Bruno Teles assustou Fernando Prass numa jogada pela esquerda. Recuado, o Vasco acabou castigado – ainda que por pouco tempo. Aos 17, Irineu ganhou a dividida pelo alto com Titi e, de cabeça, empatou: 1 a 1. Àquela altura, o Juventude tinha apenas três finalizações, contra nove chutes a gol dos vascaínos.

A tensão, componente que sempre marcou a trajetória do time de Dorival Júnior nesta Série B, se fez presente. Afinal, o empate não seria suficiente para o retorno à elite. Se, os torcedores ficaram apreensivos, os jogadores reagiram – mais uma vez, os guerreiros do Vasco mostraram superação. Aos 20, Adriano driblou Juninho e foi derrubado pelo goleiro, que acabou expulso. Mendes, atacante de origem, teve de ir para o gol. O Juventude havia feito suas três substituições. Nessa hora, Elton deu uma escorregada. Pediu ao técnico vascaíno para cobrar o pênalti, de olho na artilharia – ele está a um gol de Rafael Coelho, do Figueirense. Diante da recusa de Dorival Júnior, que ordenou Carlos Alberto, o cobrador oficial, o atacante fechou a cara, xingou. Até o camisa 19 chutar forte e pôr o Vasco, de novo, em vantagem: 2 a 1. Abraçados, Carlos Alberto e Elton comemoraram. Não há divergências num grupo em que a união é o destaque.

Após o segundo gol, pouco futebol foi visto no Maracanã. Contavam-se os minutos para a festa poder começar. Festa, por sinal, que estava pronta havia muito tempo. Ainda teve tempo para o Vasco tentar surpreender o goleiro atacante Mendes, que foi ao ataque nos acréscimos e quase levou o gol. Impedido, Magno, que tinha entrado no lugar de Carlos Alberto, parou a jogada. Pouco importava.

Nielson Dias apitou o fim do jogo, permitindo à imensa massa vascaína em todo o país festejar um presente que se anuncia promissor no futuro.

Entre choros e abraços, o vascaíno se redescobriu neste ano de 2009. Aproximou-se de seu clube. Teve o prazer de vibrar de novo. Duas faixas carregadas pelos jogadores em campo resumem a temporada: “O sentimento nos trouxe de volta” e “Obrigado pelo amor infinito”. Na partida em que foi quebrado o recorde de pagantes em todas as séries do Brasileiro – 78.609, diante dos 78.409 do último Fla-Flu, em 4 de outubro – o Vasco, como sempre, superou barreiras.

18:19 - 07/11/2009







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