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Internacional

Governo italiano vai recorrer da sentença contra crucifixos em escolas

Agência ANSA

ROMA - A Itália confirmou que vai recorrer da sentença emitida pela Corte Europeia de Direitos Humanos na última terça-feira, que condenou o país a pagar uma indenização de 5 mil euros à cidadã italiana de origem finlandesa Soile Lautsi.

Ela havia pedido a retirada de crucifixos da escola na qual seus filhos estudam, localizada na cidade de Abano Terme, província da Padova. A solicitação fora negada pela direção da instituição.

No texto da sentença, a Corte entendeu que a presença de símbolos de representação religiosa em escolas constitui "uma violação dos direitos dos pais em educar seus filhos segundo suas próprias convicções".

A apresentação do recurso contra a decisão foi confirmado pelo Conselho de Ministros da Itália, que se reuniu hoje, e confirmado por fontes do governo.

O magistrado Nicola Lettieri, que defende a Itália perante a Corte, localizada em Estrasburgo, na França, já havia antecipado que o país recorreria da sentença. O caso ficará a cargo do ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini.

Em uma coletiva de imprensa, o premier italiano, Silvio Berlusconi, lembrou que a decisão da Corte não é proibitiva, nem exige que os símbolos religiosos sejam retirados das escolas.

- Não é uma sentença coercitiva. Não há nenhuma possibilidade de coerção que nos impeça de manter os crucifixos nas salas de aula independentemente do sucesso do recurso - afirmou ele.

A decisão da Corte tem gerado críticas também entre membros da Igreja Católica. O cardeal de Cracóvia, na Polônia, e ex-secretário pessoal de João Paulo II, Stanislaw Dsiwisz, classificou a sentença de "incompreensível" e disse que ela suscita "sérias preocupações para o futuro da liberdade religiosa na Europa".

Em entrevista à agência católica polonesa Kai, Dsiwisz afirmou que a opinião expressada pelo Tribunal de Estrasburgo não tem nada em comum com as ideias dos fundadores da União Europeia.

- Os juízes que assumem o papel de guardiões da liberdade, com essa sentença não fazem nada além de negá-la eles mesmos - disse o cardeal. - Assim se tenta eliminar o cristianismo da vida pública - acrescentou.

10:30 - 06/11/2009









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