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Internacional

Coreia do Norte anuncia extração de plutônio para armamento nuclear

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A Coreia do Norte anunciou terça-feira que completou o reprocessamento de combustível nuclear e extraiu plutônio suficiente para ser usado na produção de armas atômicas em sua planta nuclear de Yongbyon. O anúncio ocorre num momento em que o recluso Estado comunista, pressionado por novas sanções da Organização das Nações Unidas por conta de um teste nuclear realizado em maio, vinha sinalizando para a comunidade internacional a intenção de retomar negociações sobre seu programa nuclear.

“Finalizamos o reprocessamento de 8 mil barras de combustível em agosto e obtivemos resultados significativos na extração de plutônio que pode ser utilizado na fabricação de armamento nuclear”, informou a agência estatal norte-coreana KCNA.

Especialistas afirmam que, com o reprocessamento realizado na unidade de Yongbyon a Coreia do Norte já seria capaz de produzir combustível para a produção de pelo menos mais uma bomba nuclear, e que o país já teria processado plutônio suficiente para produzir de seis a oito armas nucleares.

Na segunda-feira, a Coreia do Norte manifestou interesse em manter conversações diretas com os EUA, sinalizando que está pronta para voltar às negociações sobre o desarmamento nuclear, que vem boicotando por quase um ano.

Isso ocorre após uma rara visita, na semana passada, de um funcionário norte-coreano a Washington, no que tem sido identificado por analistas como uma tentativa de reaproximação com os EUA, em função das crescentes dificuldades financeiras enfrentadas pela Coreia do Norte.

As sanções aplicadas pela ONU depois do teste nuclear de maio tinham como objetivo reduzir as verbas que o Norte recebe pela venda de armas, que representariam um lucro de mais de US$ 1 bilhão por ano, bastante significativo para uma nação com uma economia anual de apenas US$ 17 bilhões.

Embora a Coreia do Norte precise fazer concessões se quiser receber ajuda humanitária, poucos analistas acreditam que o líder Kim Jong-il abriria mão de seu programa nuclear, visto dentro do país como a principal conquista da sua gestão, toda centrada numa política de promover o poderio militar para evitar uma invasão norte-americana.

A Coreia do Norte afirmou em abril que havia começado a extrair barras de combustível da planta nuclear em Yongbyon, poucas semanas depois de o país ter sido punido com sanções pela ONU pelo lançamento de um foguete de longa-distância, no que foi visto como um teste de míssil em violação a resoluções do órgão.

A planta de Yongbyon também armazena um antigo reator e uma usina que produz combustível para queimar no reator. Estas instalações e o centro de reprocessamento estavam sendo desmobilizados sob o acordo nuclear entre as duas Coreias, China, Japão, Rússia e EUA.

Exercícios no Sul

Fontes do governo sul-coreano afirmam que ainda não há indícios de que seu vizinho do Norte estaria reconstruindo o reator e a usina de combustível, capazes de produzir material físsil o suficiente para fabricar uma bomba, mas a Coreia do Sul mantém a prática de realizar exercícios militares simulando um possível ataque nuclear ao país, proveniente de seu vizinho do norte.

A Coreia do Norte anunciou em junho o começo de um programa de enriquecimento de urânio, que poderia fornecer nova fonte para produzir de bombas atômicas.

22:00 - 03/11/2009









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