Roger Pereira, Portal Terra
CURITIBA - Dezenas de mulheres fizeram vigília desde às 10h desta terça-feira na Rodoferroviária de Curitiba para lembrar o aniversário de um ano do desaparecimento da menina Rachel Genofre, que, aos nove anos de idade, foi vista pela última vez quando deixava a escola, no centro da capital paranaense, no dia 03 de novembro de 2008, e encontrada morta, dentro de uma mala, na rodoferroviária, dois dias depois.
O crime que chocou o País e segue sem solução foi lembrado nesta manhã pela União das Mulheres do Brasil, entidade á qual a tia de Rachel, Maria Carolina Gomes de Oliveira, é filiada, e que organizou a manifestação contra a violência às mulheres a às meninas. "É um movimento de cobrança de Justiça, mas também de alerta, contra esse tipo de violência. Ainda vivemos numa sociedade patriarcal em que mulheres e meninas são vistas como propriedade e, muitas vezes, a violência fica impune por falta de denúncia", comentou a coordenadora do movimento no Paraná, Elza Maria Campos.
A falta de denúncia é, também, uma das principais queixas da tia de Rachel sobre o caso."Ela desapareceu às 17h, na praça mais central da cidade e ninguém viu. Quem não denuncia é cúmplice desse monstro", disse Maria Carolina.
Apesar de se passar um ano sem conclusão do caso, a tia da garota elogiou o trabalho da polícia e disse ainda acreditar que o assassino será encontrado. "Eles são incansáveis. Já investigaram mais de 100 pessoas. Já foram para São Paulo, Santa Catarina e, até, Sergipe atrás de pistas. Acredito ser questão de tempo para vermos esse monstro atrás das grades", comentou.
Maria Carolina disse ainda acreditar que o assassino seja alguém próximo à menina, ou, até, ligado à família. "Mas já investigaram todos os membros da nossa família e os amigos mais próximos, fizeram o DNA de todo mundo e não encontraram nada", disse.
A avó da menina, Aparecida Campos de Oliveira emocionou-se ao pisar na rodoferroviária pela primeira vez desde que a mala com o corpo de Rachel foi encontrado. "Nunca mias tinha vindo aqui, só fiz isso hoje para contribuir com a manifestação. Passei esse último ano rezando para que quem fez isso com a minha neta seja encontrado e pague pelo que fez. Acho que isso, de alguma forma, vai aliviar minha dor", disse.
Rachel Genofre desapareceu no dia 3 de novembro de 2008, após deixar a escola onde estudava, o Instituto de Educação, no centro de Curitiba. Ela costumava voltar para casa sozinha, de ônibus, que tomava na praça Rui Barbosa, a duas quadras do colégio. Seu corpo foi encontrado na madrugada do dia 5, em uma mala abandonada na rodoferroviária de Curitiba. Os legistas encontraram sinais de estrangulamento e violência sexual na menina.
Duas pessoas chegaram a ser detidas suspeitas do crime: um motorista de ônibus que se apresentou á polícia por julgar-se semelhante ao retrato falado divulgado (mas que logo foi liberado) e um pintor que foi encontrado em Santa Catarina, com passagem pela polícia por crime semelhante, mas que apresentou álibi e teve resultado negativo de teste de DNA em comparação com o material genético encontrado no corpo de Rachel.
Desde então, segundo a Secretaria Estadual de Segurança, mil pessoas foram ouvidas, 100 suspeitos forma investigados e 40 testes de DNA realizados. Atualmente, a polícia segue com três linhas de investigação, que mantém em sigilo.
16:34 - 03/11/2009
Coisas da Política
Informe JB
Hoje na História