Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - O ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic decidiu comparecer diante do tribunal que julga crimes da guerra cometidos na Iugoslávia, mas apenas para pedir mais tempo para preparar sua defesa, disseram seus assessores segunda-feira.
Karadzic, que se diz inocente das 11 acusações de crimes de guerra que lhe são feitas relativas ao conflito de 1992-95 na Bósnia, incluindo duas acusações de genocídio – pelo massacre de 8 mil homens e meninos muçulmanos e por atrocidades mais amplas – vem boicotando o julgamento desde que começou, na semana passada, mas disse em carta que vai comparecer terça-feira diante do tribunal.
“Espero que possamos encontrar uma solução que leve a um julgamento não apenas rápido, mas justo”, disse Karadzic, na carta.
Anteriormente, um de seus assessores jurídicos, Marko Slajodevic, já havia dito que Karadzic não apareceria no dia de segunda-feira, mas que o faria terça-feira.
– Esperamos que a corte nos conceda basicamente o tempo necessário para nos prepararmos. Calculamos que precisaríamos de 10 meses, e é essa nossa posição – afirmou Slajodevic.
O ex-líder sérvio-bósnio, que assumiu sua própria defesa legal, disse na carta enviada ao tribunal, cujo texto foi divulgado segunda-feira, que, embora não fosse comparecer ao tribunal naquele dia, assistiria à audiência de terça-feira, que vai definir o status do processo.
Opções
Esta audiência vai estudar maneiras de resolver o impasse. As opções a serem analisadas incluem conduzir o julgamento à revelia, ou seja, sem a presença de Karadzic; designar advogados para representá-lo ou buscar assessoria externa e adiar o julgamento para dar tempo para os advogados designados prepararem a defesa do réu.
Entre as acusações a Karadzic também está o cerco de Sarajevo, que começou em 1992, durou 43 meses e causou a morte de estimadas 10 mil pessoas, enquanto a ex-Iugoslávia foi fragmentada nos anos 90 por disputas por território entre sérvios, croatas e muçulmanos.
22:12 - 02/11/2009