Nara Boechat, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Cerca de 300 pessoas acompanharam a missa de Finados celebrada na manhã desta segunda-feira pelo arcebispo do Rio Dom Orani João Tempesta no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Após a cerimônia, encerrada com uma chuva de pétalas de rosas, o arcebispo comentou sobre a onda de violência na cidade do Rio.
– Temos que rezar pelas vitimas e para que elas não existam no futuro. Que não tenhamos essa realidade triste com vítimas da violência em todos os sentidos, seja com tiros, com balas perdidas ou com trânsito, mas que, cada vez mais, possamos semear o bem, para que vivamos com mais paz e tranqüilidade.
De acordo com o administrador geral do São Francisco Xavier, Paulo Rodrigues, mais de 2 milhões de pessoas passaram pelo cemitério desde quinta-feira, visitando túmulos de parentes, amigos e famosos, como o do cantor Tim Maia e da cantora Emilhinha Borba, o mais procurado, segundo ele.
– Há pessoas ilustres enterradas aqui e muitos fãs vêm homenageá-los. No túmulo do cantor Paulo Sérgio, os fãs trazem um toca-fitas, que fica tocando suas músicas o dia inteiro em cima do túmulo. – contou Rodrigues, há 55 anos na administração dos 13 cemitérios da Santa Casa da Misericórdia.
Data importante
Os portões abriram por volta de 5h30 e muita gente optou pela visita logo no início da manhã. A aposentada Maria José Marttorelli, de 78 anos, vai ao Caju todos os anos visitar o túmulo de seu marido. Acompanhada da filha Maria Antonieta, de 57 anos, Maria José acredita que este é um dia único e muito importante para a memória dos entes que já partiram.
– É um dia de união, de estar presente, de conforto para a gente – contou emocionada, após sair de Campo Grande (Zona Oeste), onde vive para acompanhar a missa.
Já a aposentada Marly Caruzo, de 68 anos, e sua comadre Suely Batista da Silva, de 66, tiveram surpresas desagradáveis ao visitar os túmulos de suas famílias. Segundo elas, além de muita sujeira, partes das sepulturas estavam quebradas.
– Isso já aconteceu outras vezes. A administração diz que são pessoas da favela aqui perto – disse Marly.
– Ninguém respeita mais nada hoje em dia. Este ano, pelo menos, tem polícia aqui. Ano passado nem isso tinha – acrescentou Suely.
No apoio
Enquanto milhares de pessoas lembravam seus patentes dentro do cemitério, a florista Célia Pereira de Pontes, 33, vendia um ramo de flores atrás do outro, do lado de fora.
– Vendemos uns 500 ramos em todo feriado de Finados e um pouco menos no fim de semana – contou Célia, que comercializa flores desde os 14 anos, mas só nos feriados de Finados e no Dia das Mães. No resto do ano, ela se reveza como diarista e vendedora de sanduíches naturais nas praias.
Cerca de 200 policiais militares do 4º BPM (São Cristóvão) reforçaram o patrulhamento ao redor dos cemitérios do Caju. A Guarda Municipal montou um forte esquema no controle do trânsito, com a Rua Monsenhor Manoel Gomes em mão única no sentido da Avenida Brasil, até as 15h. Bombeiros do setor de combate à dengue inspecionaram as sepulturas devido a possíveis focos do mosquito com vasos de planta deixados pelos visitantes.
Falsa granada assusta em frente ao São João Batista
Um objeto parecido com uma granada assustou ao ser encontrado em uma lixeira, em frente ao cemitério São João Batista, na manhã desta segunda-feira. A esquina das ruas General Polidoro e Real Grandeza, em Botafogo (Zona Sul), onde havia bastante movimentação devido ao Dia de Finados, chegou a ser isolada, mas o chefe do Esquadrão Antibombas, João Valdemar, constatou que o objeto, de aço inoxidável, não era explosivo.
Segundo a polícia, um menino de 12 anos, morador da Santa Marta, estava indo cemitério para trabalhar na limpeza de sepulturas quando viu o objeto em cima de um banco na Rua São João Batista. Ele achou que se tratasse de uma bombinha de festa, mas foi alertado por um guarda municipal a jogá-lo fora.
Avisados por um catador de lixo que o encontrou, policiais do 2º BPM (Botafogo) chamaram o Esquadrão Antibombas que chegou ao local por volta das 10h.
A operação para retirada da suposta granada assustou, mas não chegou a provocar pânico nas pessoas que visitavam o São João Batista. Inclusive, algumas pessoas tentaram passar no local para ver a ação policial.
A expectativa da direção do cemitério era de receber mais de 300 mil visitantes até o fim do dia.
21:06 - 02/11/2009