Vladislav Kusmitchev, especialista econômico do Rússia Hoje, JB Online
REDAÇÃO - Os otimistas e os pessimistas deflagraram a atual guerra de posições no mercado acionário russo no fim da segunda quadrissemana de outubro. Os pessimistas se entrincheiraram no patamar superior entre 1.450 e 1.470 pontos do índice RTS, e durante quase toda a quadrissemana frustraram as tentativas dos otimistas de aquecer ainda mais o mercado russo de capitais. Já seus oponentes rechaçaram os ataques dos pessimistas mantendo a marca dos 1.400 pontos, não permitindo que a onda de realização de lucros ganhasse força. Cada vez mais os analistas dizem que o mercado acionário russo está se recuperando rapidamente. E a economia apenas começa a registrar pequeno crescimento do PIB, e isso sem fazer comparação com os indicadores do ano passado, mas em relação aos meses anteriores – o índice RTS já quase três vezes superou o nível do fundo do poço (o indicador mais baixo do índice RTS foi atingido no fim do inverno russo de 2009).
Portanto, neste particular, não há por que se surpreender. A crise de confiança na área de concessão de crédito não desaparecerá tão rapidamente, mas a alta rentabilidade do mercado financeiro faz com que o jogo do aumento das cotações fique atraente. Além disso, o preço do petróleo - um dos principais produtos das exportações russas - começou a subir. No hemisfério norte, onde se encontram os principais consumidores dos hidrocarbonetos russos, o inverno está se aproximando. Por isso, a demanda por produtos de energia se manterá em alta estável nos próximos meses. Com esse preço do petróleo, pode surgir mais um fator favorável, que é a redução do déficit do orçamento federal da Rússia. Analistas não excluem a possibilidade de que se o preço do barril do ouro negro continue com tendência de alta, a necessidade de captação de empréstimos federais nos mercados externos por si só pode desaparecer (o governo russo pretende pôr papéis de longo prazo no valor de 3% do PIB.)
Autoridades russas mostram otimismo moderado quanto ao desenvolvimento da economia. O vice-premier e ministro das Finanças, Aleksei Kúdrin, prevê o crescimento do PIB nos próximos anos entre 3,5% e 4,5%. Representantes de grandes bancos de investimento russos mencionam outras cifras: 5% já em 2010.
19:02 - 26/10/2009