Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil
RIO - A floresta tropical brasileira volta a servir de cenário para a do Amazonas Film Festival, que chega à sexta edição renovando o desejo de transformar Manaus em capital dos filmes com espírito de aventura. A contenda desse ano será aberta com a exibição, em caráter hors concours, de Antes que o mundo acabe, produção gaúcha dirigida por Ana Luiza Azevedo, que já desfilou suas qualidades por festivais como o de Paulínia (São Paulo) e do Rio. Mas os manauaras terão o privilégio de receber dezenas de outros títulos internacionais ainda inéditos no Brasil, como a produção americana The road, de John Hillcoat, estrelada por Viggo Mortensen e Charlize Theron, que concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza.
As opções de filmes e convidados é desenhada pela Public System, a metade francesa da organização do evento. Quem bate o martelo sobre a programação, no entanto, é Robério Braga, secretário de Cultura do estado. Ele funciona como diretor geral da maratona, que em 2009 se realiza entre os dias 2 e 12 de novembro.
Lista de celebridades
– Reconhecemos que Antes que o mundo acabe é um filme urbano, mas o grande problema das cidades brasileiras hoje é desconhecer o que seja urbano. Manaus será uma das cidades-sede da Copa de 2014, e temos planos para aparelhá-la para isso. Filmes como o da Ana Azevedo ajudam a explicar como a metrópole vive e se conforma com as várias cidades que existem dentro dela – justifica Braga. – A linguagem do cinema é dinâmica, favorece o desenvolvimento de uma consciência crítica. E, finalmente, decidi pelo filme da Ana porque ele dá uma matiz nacional ao festival, senão fica com cara de importado. O que interessa é uma mostra que dialogue com vários outros cinemas.
Outros sete filmes, nacionais e estrangeiros, disputarão o voto do júri da categoria ficção, presidido pelo diretor e produtor americano John McTiernan (da série Duro de matar). Entre estes estão o iraniano Frontier blues, de Babak Jalali, e o francês Garimpeiro, de Marc Barrat. A competição pelo troféu Voo na Floresta de Melhor Documentário é composta por Crude, do americano Joe Berlinger, Green, do francês Patrick Rouxel, A árvore da música, do brasileiro Otávio Juliano, e The deadline, do britânico Phil Stebbing, entre outros. A atriz americana Stephanie Powers, que ganhou popularidade mundial nos anos 70 no seriado de TV Casal 20, servirá de presidente da mesa julgadora da categoria.
A lista de convidados internacionais é a uma das mais longas e cintilantes da carreira do Amazonas Film Festival. No ano da França no Brasil, a atriz francesa Carole Bouquet, que já filmou com Luis Buñuel (Esse obscuro objeto do desejo), Bertrand Blier (Linda demais para você) , Francis Ford Coppola (Contos de Nova York) e Patrice Leconte (Tango), entre outros, servirá como madrinha da mostra. O cineasta britânico Hugh Hudson (Carruagens de fogo) dará uma aula magna, acompanhará a projeção da nova versão de Revolução, sucesso de 1985, além de compor o júri de ficção. Este ainda é engordado pelas atrizes Natasha Regnier (França) e Leonor Silveira (Portugal).
O festival promove passeios (na floresta e no Rio Negro) e festas para os convidados. Mas a visita não sai barata para eles:
– Quem vem se compromete a trocar experiências. Tem que participar de oficinas, do processo de escolha de roteiros de produções brasileiras etc. É uma forma de participar do fortalecimento do projeto do polo de cinema de Manaus – explica Braga. – Até as festas e coquetéis servem para aproximar os artistas estrangeiros dos brasileiros, gerando oportunidades para os dois lados. Foi assim que o Matheus (Natchergaele) conseguiu fazer A festa da menina morta, seu primeiro filme como diretor, em Barcelos, vilarejo no interior da floresta, por exemplo.
01:07 - 23/10/2009