Jornal do Brasil
CURITIBA - Não adiantou o bicho gordo – R$ 50 mil – oferecido pela diretoria: o Flamengo não conseguiu quebrar o tabu que perdura há 35 anos e vencer o Atlético-PR na Arena da Baixada. Ontem, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, não passou de um chocho 0 a 0. Com o resultado, o time carioca, que sonhava em se aproximar do grupo dos quatro clubes mais bem colocados na competição, estacionou na zona intermediária da tabela, com 31 pontos. A equipe paranaense soma 28.
Na verdade, foi uma partida sem atrativos, truncada e de baixo nível técnico, com os jogadores escorregando no gramado molhado, umas vezes; e outras, tropeçando nas próprias pernas e falta de categoria. Nenhuma das equipes merecia mesmo ter saído de campo com a vitória.
Indisciplina e descontrole
De chamar a atenção, apenas dois lances de indisciplina e descontrole: a expulsão, na volta para o segundo tempo, do técnico e ex-delegado Antônio Lopes, que saiu de campo cercado por seguranças e policiais, com o dedo em riste, a xingar o assistente: “Você não tem caráter!”. Feio, muito feio. Ainda mais para um senhor de idade avançada.
O volante Willians foi outro a protagonizar um triste espetáculo. Com a fama de maior roubador de bolas do Brasileiro, exibiu suas armas logo aos cino minutos de jogo: um empurrão no adversário pelo qual recebeu cartão amarelo – o 14º ao longo da competição. Aos 20 da segunda etapa, deu uma cotovelada no lateral Márcio Azevedo e não teve jeito – foi expulso, pela segunda vez no campeonato. Antes de esfriar a cabeça no chuveiro, ainda deu um chutão na bola. Seu companheiro Leonardo Moura, então, o expulsou de novo, para evitar um prejuízo maior.
Atraso cívico
A partida começou com cinco minutos de atraso, tempo dedicado ao civismo – por determinação de uma lei estadual, os jogadores de ambas as equipes se perfilaram durante as execuções do Hino do Brasil e do Hino do Parana.
Com o apito, o Atlético-PR tentou impor-se na base da força, com muitas bolas roubadas no meio-campo. Conseguiu levar perigo em cobranças de falta nas laterais – sempre a cargo de Paulo Baier – e num único lance trabalhado, mesmo assim de forma irregular: Marcinho, para ficar com a bola, empurrou o zagueiro Álvaro, e deu um passe para Alex Mineiro. Dentro da área, ele preferiu colocar no canto esquerdo do goleiro Bruno, que fez a defesa. E foi só. Muito pouco para um time que jogava em casa, com apoio da torcida.
Os jogadores do Flamengo sofreram mais com o estado do campo, bastante escorregadio, do que com as investidas do adversário. Alguns deles – exemplo do lateral Everton, que pediu para trocar as chuteiras por outras de trava mais alta – mal conseguiam manter-se em pé.
No segundo tempo, houve menos futebol, mais passes errados e lances bisonhos, substituições dos dois lados que não resolveram. A rigor, não houve chutes a gol e lances de perigo.
18:06 - 06/09/2009