Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Com as investigações sobre os gastos na construção da Cidade da Música ainda em curso, o prefeito Eduardo Paes anunciou nesta terça-feira que as obras serão retomadas. O prefeito publicou no Diário Oficial a autorização para o reinício dos trabalhos no centro cultural, que fica na Barra da Tijuca (Zona Oeste). Paes determinou ainda que outro orçamento seja elaborado pela Empresa Municipal de Urbanização (Riourbe) e os custos, reavaliados.
A Cidade da Música começou a ser construída em 2002. A obra foi paralisada no dia 1º de janeiro de 2009, quando o prefeito Eduardo Paes emitiu decreto que instituiu uma auditoria para apurar os contratos, determinar o que ainda precisa ser feito e quanto isso custaria. O relatório final da auditoria será apresentado até o fim deste mês.
– Precisamos retomar a obra, é importante. Afinal de contas, por mais que tenha sido equivocada, é dinheiro da cidade que foi gasto ali, e por isso vamos reiniciar o trabalho para que seja concluído.
Segundo avaliação da prefeitura, já foram gastos na obra cerca de R$ 500 milhões, mas ainda há muito por fazer.
Arquiteto depõe
Autor do projeto, o arquiteto Christian de Portzamparc abordou, durante depoimento na terça na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Cidade da Música na Câmara dos Vereadores, a complexidade do empreendimento.
– Nós fizemos 2.500 plantas ao longo das obras, e já foram necessárias cerca de 8 mil adaptações e correções, feitas a pedido dos engenheiros. Mas isso é normal numa obra como essa.
Questionado pelos vereadores, Christian revelou problemas na execução do projeto e, também, no cumprimento dos prazos estabelecidos. De acordo com o arquiteto ele e outros responsáveis pela obra foram orientados pela prefeitura, em setembro do ano passado, a adiantar o projeto, com a finalidade de inaugurar a Cidade da Música ainda durante a gestão do ex-prefeito César Maia. Segundo Christian, a mudança no ritmo da obra foi responsável pelas falhas identificadas em um relatório preliminar elaborado pela atual Secretaria Municipal de Obras.
O arquiteto afirmou que teve um prejuízo de um milhão de euros, por conta de horas extras dedicadas ao projeto, apesar de ter dito, durante seu depoimento, que recebeu da prefeitura 4,6 milhões de euros até dezembro de 2008.
Christian disse que o prazo inicial estipulado para conclusão das obras da Cidade da Música era dezembro de 2004, embora durante este ano o projeto tenha sofrido alterações.
– Para mim também estava claro, desde o início, que não seria possível concluir a obra em apenas dois anos. Paris levou 11 por falta de recursos. Faltou planejamento.
21:06 - 25/08/2009