Marco Antonio Barbosa, Jornal do Brasil
RIO - Depois de se tornar “o rei do mundo”, para onde ir? Talvez para um mundo completamente diferente. Essa é a dúvida que James Cameron tenta responder com Avatar, primeiro longa-metragem de ficção que o canadense dirige desde que quebrou todos os recordes da história do cinema como Titanic, em 1997. Nos últimos 12 anos, Cameron viu seu título de mestre do cinema-espetáculo ser disputado por desafiantes como Peter Jackson, os irmãos Wachowski e Michael Bay. Com Avatar, o criador de O exterminador do futuro não apenas quer criar mais um épico de ficção científica. Também almeja levar a nova geração de filmes 3D para um próximo patamar, empregando efeitos especiais de cair o queixo. Juntando isso tudo, o filme – a história da chegada dos terráqueos de um planeta distante, cheio de criaturas extraordinárias – tornou-se a mais ansiosamente aguardada produção de 2009. A data de estreia é 18 de dezembro – mas o Jornal do Brasil assistiu a uma seleção de cenas do filme, exibidas durante o Avatar Day: a última sexta-feira, quando uma seleta lista de cinemas em todo o mundo exibiu um preview de 15 minutos do longa.
Corpo alienígena virtual
– Oi, aqui é Jim Cameron – diz o próprio diretor (ou melhor, sua imagem em 3D), na introdução da prévia de Avatar. – Vocês vão assistir agora algo que é muito mais que um simples trailer. Mas não se preocupem, nenhum segredo sobre a trama será revelado. Todas as cenas foram tiradas da primeira metade do filme.
O que se segue é, realmente, mais que um trailer. Devidamente munidos de óculos especiais para aproveitar os detalhes dos personagens e dos cenários que “saltam” da tela, assistimos a uma cena introdutória que mostra Stephen Lang como um militar que recepciona uma turma de novos cadetes espaciais que rumam ao planeta Pandora. “Meu dever é manter vocês vivos. Eu não vou conseguir. Pelo menos, não com alguns de vocês”, diz Quaritch, personagem de Lang. É quando vemos pela primeira vez Jake (Sam Worthington, recentemente visto em O exterminador do futuro – A salvação), o protagonista do filme. Paraplégico, o jovem militar empurra sua cadeira de rodas em direção à tela, como se se viesse das fileiras de assentos do cinema – impressão criada pela fotografia em 3D estereoscópico, processo que junta duas câmeras de alta definição em um único aparelho e que foi usado pela primeira vez em um filme de longa-metragem em Avatar.
Jake será o próprio avatar: sua consciência é transferida para um corpo híbrido de humano e alienígena, capaz de sobreviver sem precisar de equipamentos especiais na superfície de Pandora. Quem o guia neste processo é a doutora Grace Augustin (Sigourney Weaver, que trabalhara com Cameron em Aliens – O resgate). Quando o novo corpo de Jake surge – cerca de três metros de altura, pele azulada, feições felinas, braços compridos e um rabo idem – é que o poderio digital de Avatar começa a se fazer sentir. A criatura é totalmente criada por computador, usando um sistema que permitiu a Cameron “dirigir” os personagens e manipular os cenários em tempo real.
– Pode-se dizer que Avatar está em pós-produção desde antes do começo das filmagens – brinca Cole Taylor, um dos produtores da Legacy Effects, estúdio de efeitos especiais que trabalhou com Cameron na criação do visual do longa. – Nos últimos 14 meses, nós e várias outras companhias de efeitos estivemos trabalhando nas imagens do filme. É uma mistura de atores reais, personagens criados por computador, cenários virtuais e paisagens verdadeiras.
Jake, no corpo de seu avatar, desce ao mundo alienígena, e pode-se ver afinal onde foi aplicado todo este esforço. O planeta Pandora de James Cameron é um luxuriante ambiente selvagem, combinando com a ideia do diretor de fazer do filme uma metáfora para o colonialismo que destrói a natureza e escraviza povos – agora em escala interplanetária. Jake se defronta com uma criatura impensável, uma espécie de rinoceronte com cabeça de tubarão-martelo. Escapa bem da ameaça, mas enfrenta uma outra ainda mais perigosa: um híbrido de inseto gigante com o ágil corpo de uma pantera, que parte com tudo para cima do terráqueo. A cena da luta é empolgante, e os efeitos 3D tornam os cenários e os personagens “vivos” de um modo ainda não visto na nova safra de filmes tridimensionais.
Sem expressividade
Vivos até certo ponto. A impressionante maestria digital não consegue fazer com que os personagens tenham expressões realmente humanas (ainda que as “interpretações” de Avatar sejam um progresso e tanto em relação a projetos semelhantes como A lenda de Beowulf). Ainda pode-se reconhecer as feições de Worthington e Zoe Saldaña (que interpreta a alienígena Neytiri) debaixo das camadas de CGI, mas os rostos são duros... computadorizados. A movimentação, entretanto, é perfeita, fluida e realistica.
Ainda no preview há uma cena de tirar o fòlego, na qual Jake cavalga um ikran, espécie de dragão alado, e uma sequência de batalha, com o exército de terráqueos enfrentando a raça nativa de Pandora. Uma exposição de tecnologia brilhante, que levou milhares de pessoas a ficarem por horas em longas filas na última Comic-Con, tentando ver essas mesmas cenas.
– Todo mundo em Hollywood que viu o filme confirma: Avatar vai mudar a história dos efeitos especiais no cinema – afirma o produtor Paul Salamoff, autor de On the set: livro sobre segredos de bastidores de estúdios e locações de filmagens.
18:53 - 23/08/2009
Cara de marido
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