Ciclofaixa da Rua Xavier da Silveira Foto: Fernando SouzaMario Hugo Monken, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Falta de sinalização e conservação, desrespeito as regras, riscos aos ciclistas e pedestres, projetos supostamente mal feitos. As ciclovias e ciclofaixas da Zona Sul carioca são alvos de uma série de reclamações de usuários e também de moradores.
Recém-inaugurada, a ciclofaixa da Rua Xavier da Silveira, em Copacabana, está no centro de uma polêmica. Projetada pela Prefeitura para ligar a estação do metrô de Cantagalo á praia, ela não tem acesso direto para a orla.
– A Xavier da Silveira não cruza a Avenida Atlântica. Ou seja, para ter acesso à orla, o ciclista tem fazer bandalha e passar por cima da calçada ou, então, ir para uma outra rua que seja transversal – declarou Horácio Magalhães, que é presidente da Sociedade dos Amigos de Copacabana.
Horácio afirmou que a ciclofaixa tem atrapalhado o trânsito na via. Segundo ele, a pista para as bicicletas é muito larga, chegando a quase 2,5 m e praticamente divide a rua ao meio com a faixa destinada aos carros. Só passa um veículo por vez, o que provoca retenção no tráfego, constatada pela reportagem do JB.
–Essa ciclofaixa tem problemas sérios de concepção. Do jeito que está, não dá para ficar. Uma solução de primeiro momento seria encurtá-la, colocando só uma pista para a ciclofaixa – declarou ele, acrescentado que a situação se agrava nos horários de rush já que a Xavier da Silveira recebe parte do trânsito que vem do Corte do Cantagalo, principalmente os motoristas que não vão se dirigir à orla. Outro problema é que a Xavier da Silveira é caminho para as ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros do quartel do bairro.
Na rua, há uma escola - a Mallet Soares, prédios com garagens e um estacionamento rotativo - que também trazem preocupações.
– Como a pista para os carros é curta, uma simples manobra para entrar no estacionamento ou garagem já é o suficiente para engarrafar o trânsito. Imagine quando se começar as aulas. Quem parar o carro na ciclovia corre risco de ser multado, se parar na pista, vai engarrafar tudo – reclamou Horácio.
Segundo ele, outro problema é a ausência de agentes de trânsito para o controle do acesso.
– Eles (a Prefeitura) pintaram a pista e depois abandonaram– disse. Não há guardas municipais no local.
A falta de controle gera desrespeito. Na hora em que circulava pela ciclofaixa, o estudante Lucas da Silva Martins, de 12 anos, foi surpreendido por um carro parado na pista destinada às bicicletas.
– Está muito ruim. Tem lama, buraco e carro parado– reclamou
A ciclofaixa é cheia de buracos. Ontem, estava repleta de poças dágua em razão da chuva. Segundo Horácio, mais parece uma pista de “bicicross”.
A “novidade” na rua trouxe outro problema: a falta de lugares para estacionamento. Sem se identificar, o porteiro do edifício número 50 da Xavier da Silveira, que não tem garagem, disse que os moradores estão revoltados. Segundo ele, os condôminos estão sendo obrigados a parar seus carros na Rua Leopoldo Miguez, que registra muitos arrombamentos à noite. Quem mora ali tem que estacionar em outra rua e pagar por isso.
– Lá é escuro à noite. Muito morador já foi roubado, principalmente toca-fitas – afirmou.
Morador há 50 anos na Xavier da Silveira, o aposentado Carlos Maia, de 69 anos, é contra a ciclofaixa.
– Está esquisito. Só passa um carro por vez – disse. Mesma opinião tem o aposentado Luiz Nascimento, de 66 anos.
– Essa ciclofaixa é um absurdo. Para que, se a utilização é zero. Acho que só deveria ter essa ciclofaixa aos domingos – disse.
Durante a semana, o movimento no local é basicamente de ciclistas que prestam algum tipo de serviço. A pista compartilhada para ciclistas e motoristas entre as ruas Rodolfo Dantas, Duvivier e Ministro Viveiros de Castro também é alvo de críticas. Segundo Horácio, as sinalizações estão pouco visíveis.
Prefeitura reconhece erro na demarcação
O vice-prefeito e secretário municipal do Meio-Ambiente, Carlos Alberto Muniz afirmou, em nota, que reconhece os erros na ciclofaixa da Xavier da Silveira e que pretende corrigir os erros.
Segundo ele, a pintura foi feita mais larga do que o estabelecido pelo projeto original. Citou ainda que houve falha na vistoria para que tudo saísse conforme o projeto porque a conclusão da obra só ocorreu de madrugada.
O secretário explicou que a ligação da ciclofaixa com a orla se dá também através do compartilhamento com pedestres no trecho do calçadão, até a travessia das pistas da Avenida Atlântica, na altura da
Rua Miguel Lemos. Esse trecho será sinalizado.
Afirmou ainda que solicitou à CET-Rio a volta dos agentes de trânsito ao local, bem como reforço da Guarda Municipal.
Outras faixas são criticadas
Se na Xavier da Silveira sobram críticas, a ciclovia da Rua Francisco Otaviano, que liga as praias do Arpoador e Copacabana, é apontada como uma via-crúcis.
Segundo Horácio Magalhães, a via é cortada por escolas, garagens e até igrejas, trazendo riscos de atropelamento, não só de ciclistas, como também de pedestres. A situação se agrava nas proximidades do Clube Marimbás, quando a pista fica mais curta.
– Ali, já houve atropelamento com morte. A vítima tentou desviar de alguém e acabou indo para a pista, sendo atingida por um carro. O ideal seria que essa ciclovia passasse por dentro do Forte de Copacabana, como era o projeto original – disse.
O presidente da Associação de Ciclismo do Rio, Walter Tuche, disse que a ciclovia da Francisco Otaviano vira um estacionamento
– Os motoristas não respeitam as bicicletas – declarou
Tuche aponta outros problemas nas ciclovias. Segundo ele, ao contrário do que acontece na Lagoa, as demais não têm sinalização para separar os corredores dos ciclistas.
Ele disse ainda que as ciclovias deveriam ter placas orientando as pessoas a não caminharem nas ciclovias, principalmente os idosos.
21:00 - 11/08/2009