David Moon *, Jornal do Brasil
RIO - No dia 22 de julho, enquanto participava da conferência da Associação dos Países do Sudeste Asiático na Tailândia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deu declarações contra todo tipo de liderança no Irã.
O “guarda-chuva de defesa”, novo termo cunhado pela secretária, pretende facilitar o reforço da presença militar e naval convencional nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês). Ao mesmo tempo, tenta deixar implícito que uma ameaça representada por um Irã nuclear será enfrentada com um “guarda-chuva nuclear” americano defendendo esses mesmos Estados em um futuro não tão distante.
O anúncio inesperado de Hillary recebeu críticas imediatas de Israel e silêncio gélido do líder do GCC, Arábia Saudita. O ministro de Serviços de Inteligência de Israel Dan Meridor considerou o “guarda-chuva” proposto um “erro” e acrescentou:
– Não podemos agir agora
supondo que o Irã seja capaz de
se armar com equipamentos nucleares, mas para evitar essa possibilidade.
É possível entender as preocupações de Meridor, mas nem sempre a questão tem a ver com Israel. Além do mais, qualquer política americana evitada em Israel tem mais chances de funcionar em Teerã.
Para uma autoridade americana que preferiu manter o anonimato, os comentários da secretária deviam ser vistos como um argumento público adotado pelos EUA para dissuadir o Irã de insistir em armas nucleares em vez de dar indício de que os EUA estejam conformados com a possibilidade.
O choque de Israel e o silêncio dos sauditas é o ponto crucial. Hillary parece fazer política de forma atabalhoada sem consultar nenhum aliado dos Estados Unidos. O verdadeiro público-alvo da secretária de Estado americano está dentro do Irã, onde o ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani conspira e faz planos entre os clérigos e os comerciantes.
Por falta de qualquer informação consistente sobre as atividades primordiais de Rafsanjani, o alvo da atual revolução no Irã é a casa do aiatolá Sayyed Ali al-Sistani em Najaf.. Seja lá o que tenha ocorrido entre aqueles dois homens durante sua reunião do dia 10 de março ainda permanece entre eles. Ainda assim, apenas cinco dias depois, Mir Hossein Mousavi entrou na corrida presidencial.
Somente o anúncio da candidatura de Mousavi representou por si só uma surpresa para os que estão dentro e fora do Irã.
* David Moon é analista do AFI Research
21:18 - 30/07/2009