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Internacional

Arrecadação em queda enfraquece a 'jihad'

William Maclean, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Uma queda salarial impulsionada pela recessão? Ou uma marca em declínio terminal? Qualquer que seja a origem de suas preocupações financeiras, o último apelo da Al Qaeda por financiamento revela um grupo ameaçado pela queda de doações para ataques em territórios no Ocidente.

Em uma mensagem de áudio postada em fóruns militantes na internet, o líder do grupo no Afeganistão, Mustafa Abual-Yazid, disse que militantes tinham pouca comida, armas e outros mantimentos necessários para a luta contra forças estrangeiras na região.

A reclamação, o último apelo dos líderes da Al Qaeda nos últimos 18 meses, ecoa um pedido feito por Osama bin Laden no dia 3 de junho em que solicitou o “apoio e a caridade” de simpatizantes para operações da rede militante no Paquistão e no Afeganistão.

Sabe-se tão pouco sobre as atuais operações da Al Qaeda que analistas só conseguem especular sobre as razões para as dificuldades em arrecadar fundos – que antes era capaz de providenciar US$ 30 milhões na época dos ataques a alvos americanos em 2001.

A maioria dos analistas concorda, entretanto, que trata-se da combinação de um melhor controle das instituições de caridade no mundo árabe, uma queda nos lucros derivados de sequestros e de campanhas de extorsão no Iraque, além do efeito da recessão de emagrecer as carteiras dos doadores e simpatizantes.

Alguns também especulam que o fenômeno indica uma queda no apoio ideológico.

– A falta de dinheiro é uma realidade grave – afirmou Sajjan Gohel, do think-tank Fundação Ásia-Pacífico.

A falta de verbas não é novidade para a Al Qaeda, mas é a primeira vez que ocorre durante uma profunda recessão global, levando alguns a suspeitarem que a organização está contando suas moedas e dependendo mais de filiados locais que são mais capazes de arrecadar fundos em suas próprias comunidades.

Militantes semelhantes no Paquistão, Somália e Iêmen parecem ter poucas dificuldades em solicitar ou extorquir doações, tanto em casa, no Ocidente e no Golfo, observam especialistas.

“Líderes da Al Qaeda, diferentemente de seus anfitriões Talibã, que estão muito envolvidos no lucrativo tráfico de drogas, atualmente não dispõem de recursos financeiros significativos”, escreveu Richard Barrett, coordenador da ONU que monitora a Al Qaeda e o Talibã.

Segundo Barrett, a Al Qaeda rotineiramente comunica a seus seguidores que fazer doações é uma alternativa perfeitamente aceitável para lutar nas batalhas.

Enquanto os custos operacionais diretos dos ataques da Al Qaeda geralmente chegam a dezenas de milhares de dólares, outras atividades como o treinamento, recrutamento, viagens e comunicações impõem custos significativamente maiores.

(Reuters)

21:53 - 14/07/2009









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