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Internacional

EUA: Plano era matar membros da Al Qaeda

Jornal do Brasil

WASHINGTON - Cresce a pressão para o governo de Barack Obama investigar a era Bush. Suspeitas e acusações envolvendo o ex-vice-presidente americano, Dick Cheney, em meio à queda-de-braço entre democratas no Congresso e a Agência Central de Inteligência (CIA), desdobraram-se em um novo capítulo com a revelação de que a CIA lançou uma iniciativa, em 2001, com o objetivo de levar adiante uma autorização presidencial para capturar ou matar integrantes da Al Qaeda.

Segundo ex-funcionários do governo, a agência teria investido recursos no planejamento e treinamento. O plano não havia sido completamente implementado quando foi barrado pelo diretor da agência, Leon Panetta, segundo as fontes.

O plano, que foi escondido do Congresso, não chegou a ser colocado em prática pela CIA. O Exército americano, no entanto, realizou alguns assassinatos, sendo um deles no Quênia. O episódio fez com que autoridades americanas se vissem diante de uma saia-justa, uma vez que o governo queniano não havia sido informado da operação.

De acordo com um oficial de inteligência aposentado, não informar os governos dos outros países seria uma questão crucial para o sucesso do plano.

– Se há um membro da Al Qaeda circulando por determinado lugar, nós deveríamos agir por nós mesmos, diretamente, sem fazer muito barulho – lembrou, ao acrescentar que os EUA resolveram agir depois de ver que alguns países não poderiam cooperar.

A justificativa para fundamentar a chamada guerra ao terror, revanche na qual os ataques se apoiavam no trauma pós-11 de Setembro, não sensibilizou democratas.

– Trata-se de um problema grave. Eu entendo as necessidades daquela época, mas acredito que você enfraquece seus motivos se age fora da lei – declarou a senadora democrata Dianne Feinstein, também presidente da Comissão de Inteligência do Senado americano.

Membros do Partido Democrata disseram querer levar adiante uma investigação contra a administração do ex-presidente George Bush, após as denúncias sobre o plano de Cheney.

– O ideal seria uma comissão para investigar denúncias sobre tortura e atividades de contraterrorismo – afirmou o democrata Patrick Leahy, chefe do comitê de Justiça do Senado, no domingo.

Republicanos criticaram a iniciativa democrata. O senador texano John Cornyn disse que a CIA deveria ter avisado o Congresso do plano, mas a manobra parece uma manobra política. Já o senador Judd Gregg defendeu a agência:

–É um ataque contínuo à CIA e a nossas organizações de inteligência.

O escândalo surge no momento em que ganham força rumores de que o procurador-geral, Eric Holder, deve abrir um processo para apurar se a CIA torturou presos durante a “guerra ao terror”.

21:40 - 13/07/2009










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