Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Uma breve conversa técnica de 12 segundos é a prova que a Força Aérea Brasileira apresentou ao BEA (Escritório francês de Investigação e Análise) para confirmar que seu controlador avisou o colega do controle de tráfego aéreo de Dacar (Senegal) sobre o voo 447 da Air France. A divulgação do áudio por parte da FAB é uma espécie de resposta ao relatório preliminar sobre as causas da queda do Airbus, divulgado na quinta-feira, em Paris.
O responsável pelas investigações do BEA, Alain Bouillard, havia afirmado que Dacar não chegou a receber oficialmente dos controladores de tráfego aéreo do Brasil o plano de voo do Airbus. Nesta sexta-feira, o tenente-coronel aviador Henry Wilson Munhoz, chefe da divisão de relacionamento com a imprensa da FAB, explicou que a breve conversa técnica entre os controladores mostra que houve sim a comunicação. Dos 59 segundos de áudio disponibilizados pela FAB, apenas 12 se referem ao voo 447. Os demais se referem a outro voo. Eles não foram cortados nem editados, segundo o coronel Henry, para não suscitar dúvidas do seu conteúdo.
Segundo o tenente-coronel, a partir do segundo 37 o controlador de tráfego aéreo brasileiro pede para que o controlador do Dacar “confirme” o número do voo 447, dizendo “copy Air France four four seven” (em tradução livre: copie Air France 447). O jargão, comum entre pilotos, é uma espécie de praxe para que outra pessoa tome ciência da mensagem.
Em seguida é informada a localização do aparelho, “Tasil, zero, two two zero”, ou seja, 2h20m em horário Tasil. Tasil é um ponto distante cerca de 1.200 km de Natal (RN) e o horário se refere a hora mundial, medida a partir do marco inicial, em Greenwich (Londres). No caso do Brasil há um fuso de três horas a menos, ou seja, no ponto que a aeronave sobrevoava Tasil eram 23h20 no horário de Brasília. A terceira frase, “flight level three, five, zero” do controlador de tráfego aéreo brasileiro, dá conta da altitude do aparelho, de nível de altitude 350, ou a 35 mil pés (10,7 km).
Em seguida, ao mencionar “mach point eight two” há a informação da velocidade do aparelho, de 0.82 em relação a velocidade do som, de 1.224 km/h. O controlador de Dacar então fala a frase “ok, ok, call you back”, algo como “mais tarde volto a te chamar” caso ocorresse algo, segundo o coronel Henry.
Segundo o porta-voz da Aeronáutica, na prática, o aparelho não havia entrado em espaço aéreo do Dacar. Entretanto, o fato de o controlador de Senegal confirmar é sinal de que tudo estava perfeito na comunicação entre os dois controladores.
Caixas-pretas
Nesta sexta-feira, o secretário de Transportes francês, Dominique Bussereau, afirmou em entrevista nesta à emissora RTL que o governo francês irá se valer até de meios de prospecção submarinos para tentar encontrar as caixas-pretas do Airbus.
Bouillard, do BEA, havia dito que as buscas pelas caixas-pretas devem prosseguir até o dia 10 deste mês. Nesta sexta-feira, entretanto, Bussereau afirmou que elas podem continuar além desta data.
– Se não forem encontrados os meios clássicos até o dia 10 de julho, depois continuaremos com meios de prospecção submarinos – afirmou na entrevista que concedeu à emissora. Isso ocorrerá, segundo ele, mesmo que as caixas tenham, de fato, deixado de emitir sinais. As caixas-pretas foram construídas para emitir sinais por cerca de 30 dias após a queda, prazo já vencido. – Esta perseverança se justifica para contar a verdade para as famílias, contar a verdade para o pessoal da Air France e também contar a verdade para cada um de nós que utiliza o transporte aéreo e quer saber o que aconteceu.
Os trabalhos de localização das caixas-pretas são dificultados pela profundidade do local da queda do – estimada em quase 3,5 mil metros – e pelo relevo de difícil acesso do oceano na região. (Com agências)
22:20 - 03/07/2009