Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - A América Latina sofrerá neste ano um forte impacto em sua economia, com uma contração entre 2,0 e 2,5%, mas retomará o crescimento em 2010, com uma expansão de 1,0 a 2,0%, numa recuperação lenta e desigual, segundo estudo divulgado sexta-feira pelo Banco Mundial (Bird).
A estimativa para 2009 constitui uma revisão do último informe da instituição, publicado em abril, quando previa uma queda entre 0,5% e 1,5%, contra um crescimento regional de 4% um ano antes.
Esta situação levou o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, a anunciar que aumentará em US$ 6 bilhões a verba destinada à América Latina e ao Caribe, para ajudar a região a lutar contra a crise econômica.
A crise mundial, de acordo com o informe do Bird, distribuído durante a segunda reunião de cúpula dos ministros da fazenda da América Latina e Caribe, impactará a região en cinco aspectos:
O continente terá a primeira recessão dos últimos sete anos, aumentarão a pobreza e o desemprego, haverá menos financiamento externo e diminuirá o volume de remessas enviadas por trabalhadores emigrantes a seus países de origem, uma importante fonte de recursos para muitos países, em especial o México e nações da América Central.
PIBs em queda
Em 2009, poucos países, salvo Perú e Panamá, escaparão de uma queda em seus produtos internos brutos, mesmo com o retorno do crescimento em 2010, entre 1% e 2%, mas de forma lenta e não uniforme, destaca o informe do Bird.
A pobreza deverá aumentar 1,1 ponto percentual, pois a crise empurrará mais de oito milhões de trabalhadores a esta condição de vida. Em 2008, 181,3 milhões de latino-americanos eram pobres.
Segundo o Banco Mundial, a crise será especialmente dura con a classe média, devido à queda na demanda por exportações não tradicionais, que tendem a empregar trabalhadores formais, urbanos e tecnologicamente mais avançados.
O desemprego também aumentará em todos os países, juntamente com uma esperada redução no valor dos salários e um incremento na informalidade trabalhista.
Em outro informe, a Comissão Econômica para América Latina (Cepal) estimou que la taxa de desemprego, de 7,4% em 2009, com o que mais três milhões de trabalhadores ficarão sem ocupação.
Além disso, a região contará com um volume menor de financiamento externo, e enfrentará uma queda entre 4% e 8% nas remessas efetuadas por 20 milhões de trabalhadores latino-americanos que vivem no exterior, segundo o Banco Mundial. A Cepal estima que a redução dessas remessas ficará entre 5% e 10%.
En 2008, o montante dessas remessas chegou US$ 60 bilhões (um terço dos quais para o México), segundo dados do Banco Mundial.
A Cepal projeta ainda uma queda de 11% nas exportações regionais, com uma redução ainda maior para a vendas de hidrocarbonetos e de metais.
A Comissão destaca ainda que a América Latina “está mais bem preparada para enfrentar a crise, maas com um escasso espaço macroeconômico para implementar políticas contracíclicas ”.
Para o Banco Mundial, a crise representa uma oportunidade para a América Latina: “depois de tudo, América Latina poderá estar melhor”, assinala o organismo de financiamento, explicando que a crise global poderia colocar a região num caminho mais rápido para um desenvolvimento duradouro.“.
FMI
Paralelamente, Nicolas Eyzaguirre, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Hemisfério Ocidental disse que a economia da América Latina pode sofrer uma considerável retração este ano devido à crise global.
– Em média, a América Latina terá uma queda possivelmente maior que 2 % – declarou o executivo durante a reunião de ministros da fazenda das Américas realizada no Chile.
Eyzaguirre disse também que a economia global começou a voltar ao normal, embora esteja um pouco mais fraca que o esperado nos primeiros dois trimestres deste ano.
– A recuperação começou a se materializar com mais vigor, de maneira a mudar um pouco as perspectivas de queda para 2009, e melhorar os prognósticos para 2010 – afirmou.
– Eyzaguirre disse ainda que os Estados Unidos devem se recuperar mais rapidamente que outras partes do mundo desenvolvido, por conta das agressivas políticas fiscal e monetária do presidente Obama.
– É possível que a economia dos Estados Unidos esteja em território positivo em 2010, mas Europa e Japão vão continuar um pouco atrás. Assim, o comércio internacional ficará muito lento este ano e no próximo. Isso impactará as economias abertas e as menores também, que continuarão a ter relativa dificuldade para exportar.
21:29 - 03/07/2009