Tárik de Souza, Jornal do Brasil
RIO - O diário do homem invisível, segundo disco solo de Rodrigo Santos, baixista de um Barão Vermelho em recesso, questiona a popularidade de artistas como ele que não ocupam a frente do palco. Lançamento dia 10, no Posto 8, de Ipanema
'O diário do homem invisível' tem chances de reverter sua condição de artista pouco conhecido apesar de ter participado de uma banda de sucesso como o Barão?
- Acho que o primeiro CD já me rendeu muita coisa: mais de 400 shows de 2007 para cá, mas não existe perpetuação sem continuidade. Durante duas décadas e meia prestei meus serviços ao rock nacional como baixista ao lado de Miquinhos Amestrados, Lobão, Léo Jaime, Kid Abelha, Blitz, Moska e durante 18 anos no Barão, e também como cantor nos Britos. Como compositor fiz algumas músicas para o Barão, principalmente para CD de 2004. Ali comecei a mudar alguns objetivos devido às nossas férias rotineiras e à mudança de concepção do destino da banda. Foi então que descobri a invisibilidade entre aspas. Não apenas eu, mas vários artistas que não são os cantores principais de suas bandas. Este segundo trabalho dá continuidade à minha trajetória e, enquanto o Barão não volta das férias, sigo trabalhando bastante. Isso é o que me move: a não acomodação de pertencer a uma banda de sucesso.
Participações como as de Ney Matogrosso, Cidade Negra, Helio Flandres (Vanguart) e Autoramas ajudam a dar visibilidade ao trabalho?
- As participações não foram escolhidas por esse motivo e sim pela musicalidade que queria nas canções, pela identificação que temos e pela continuidade da troca de informações na temporada que fiz durante um ano no Rio. Queria um disco diferente do primeiro e acho que consegui. Com certeza, o Ney no meu disco foi um privilégio e aumenta a visibilidade, mas foi muito espontâneo. Cantamos juntos na minha temporada, ele gostou dessa música e o convidei a cantá-la no CD. Chamei cada banda pela maneira como entendemos a música. O nome do álbum transporta para isso, mas, na verdade, todos precisamos da visibilidade uns dos outros e torcemos para o sucesso dos trabalhos alheios. Sou tímido e gosto de ser invisível.
Acha que o CD ainda é veículo viável de propagação da música?
- Não podemos mais chamar esse tipo de mídia como viável financeiramente. Mas ainda não deixa de ser um belo cartão de visitas. Sou da geração que curte comprar discos, LP ou CD, mas já temos outras formas que propagam bem, pela internet. Uso ambas.
11:18 - 03/07/2009