Jornal do Brasil
TEGUCIGALPA - Enquanto restringe liberdades para reduzir manifestações da oposição, o presidente nomeado pelo Congresso hondurenho, Roberto Micheletti, se mantém determinado a não ceder à crescente pressão da comunidade internacional para que aceite o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya. Micheletti deixou claro nesta quinta-feira à comunidade internacional, que Zelaya “nunca vai voltar ao poder”. No entanto, o presidente interino abriu espaço para uma antecipação das eleições como via para solucionar a crise.
Ao toque de recolher vigente há uma semana, o novo presidente interino acrescentou uma norma aprovada pelo Congresso na quarta-feira à noite, que autoriza o governo a manter pessoas detidas por mais de 24 horas e suspende garantias como a liberdade de associação e reunião, e o direito de livre circulação. Para os críticos, trata-se de “um estado de sítio encoberto”.
Micheletti também não se mostrou preocupado com a ameaça da Organização dos Estados Americanos (OEA) de afastar Honduras do clube dos países democráticos do continente, como fez com Cuba em 1962. Hoje, o secretário-geral da OEA viajará a Honduras para tentar negociar a devolução do poder ao presidente deposto.
– Se a comunidade internacional considera que cometemos um delito, que nos condene e acabe com isso – declarou Micheletti, antes de acrescentar que 80% da população está de acordo com a decisão de destituir Zelaya, acusado pela Justiça de 18 delitos. – Não se esqueça que este governo é por seis meses.
Organizações de direitos humanos criticaram nesta quinta as detenções arbitrárias, o recrutamento militar obrigatório e a crescente repressão aos meios de comunicação efetuados pelo Exército desde o golpe.
– Se está sequestrando novamente os jovens para um serviço compulsivo porque o Exército não pode conter os protestos – assegurou o diretor do Centro para a Prevenção e Tratamento de Vítimas de Tortura, Juan Almendares.
Manifestações
Apesar das restrições, milhares de pessoas saíram nesta quinta-feira às ruas das principais cidades do país. Em Tegucigalpa, manifestantes pediam a restituição de Zelaya, enquanto em San Pedro Sula, ao norte do país, hondurenhos se reuniram para respaldar o governo que o destituiu.
21:57 - 02/07/2009