Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - Divulgada na madrugada desta quarta-feira, a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de estabelecer um prazo de 72 horas para que o governo interino de Honduras restitua o poder ao presidente eleito democraticamente, Manuel Zelaya, mostra uma mudança na posição do órgão, que ignorou a existência das ditaduras deflagradas na América Latina durante a Guerra Fria.
De acordo com a Agência Bolivariana de Notícias, o ultimato da OEA fixou que nenhum governo interino será reconhecido, e ameaçou Honduras de expulsão caso não respeite o prazo. A decisão foi anunciada em Washington, após a sessão extraordinária da organização, na qual Zelaya esteve presente.
A resposta contundente das autoridades regionais não fez os novos líderes a mudarem de ideia. Nesta quarta-feira, o governo interino declarou que “não existe a mais remota possibilidade” de Zelaya voltar ao poder, enquanto o presidente designado pelo Congresso, Roberto Micheletti, deixou claro que não pretende “negociar nada com a OEA”.
Em respeito ao prazo dado pelo órgão, Zelaya – que havia dito que retornaria hoje para Honduras “como presidente” – adiou sua volta para depois de amanhã. Nesta quarta-feira ele viajou ao Panamá para assistir à cerimônia de posse do novo presidente panamense, Ricardo Marinelli.
Pressão
Os Estados Unidos suspenderam suas atividades militares com Tegucigalpa por tempo indeterminado, e a União Europeia decidiu não manter contatos com o novo governo. Além disso, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) decidiram congelar empréstimos ao país até que se encontre uma solução para a crise. O Banco Mundial financia 16 projetos em Honduras e há desembolsos pendentes de US$ 270 milhões, segundo o porta-voz Sergio Jellinek. Espanha, Itália, França e Colômbia também chamaram a consultas seus embaixadores.
Em visita à Líbia para cúpula da União Africana (UA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao bloco que condene o golpe de Estado de domingo, em Honduras.
– Queria pedir que, em seu comunicado final, esta reunião inclua uma negativa ao golpe de Estado que acaba de ocorre em Honduras, no domingo passado, e que o presidente eleito democraticamente volte ao poder – declarou sob aplausos, ao sublinhar que a América Latina não aceitará a volta de golpes à região.
21:59 - 01/07/2009