Carlos Braga, JB Online
RIO - No espaço de 24 horas, morreram cinco crianças que voltavam para casa depois das aulas e foram vítimas da violência no trânsito no Rio. Na Linha Vermelha, uma van escolar colidiu violentamente com um veículo de reboque da Prefeitura que socorria um automóvel enguiçado. O carro capotou por cerca de 30 metros, matando Raiane da Silva Souza, 14 anos, Vinicius Lopes da Silva, 11 anos, Esther Reis Fernandes da Rocha, 8 anos, e André Lucas Couto Teles, 7 anos, todos alunos do colégio Pedro II de São Cristóvão (Zona Norte) que voltavam para casa. Outras sete pessoas ficaram feridas; seis estudantes e o motorista. O acidente aconteceu nesta quarta-feira na pista sentido Baixada Fluminense, altura da Infraero, por volta das 13h.
Na terça-feira Avenida das Américas, na Barra (Zona Oeste), por volta das 17h30, a estudante Luana Macedo, de 13 anos, ficou pendurada pela mão quando o motorista de um ônibus da linha S-20 (Carioca-Recreio) subitamente fechou a porta. Acabou atropelada pelo veículo após ser arrastada por cerca de 10 metros.
O delegado Carlos Augusto Nogueira, titular da 16ª DP (Barra), onde o caso foi registrado, adiantou que ainda vai ouvir testemunhas, mas decidiu que indiciará o motorista do ônibus, que atropelou Luana Macedo, por homicídio culposo (sem intenção). Se for condenado, pode pegar seis anos de prisão.
– O pai sempre a levava para a escola e a trazia para casa. Faz menos de um mês que ela pediu para vir sozinha – contou Marinalva de Macedo, tia da menina. – Ela estava subindo no ônibus quando o motorista arrancou com a mão dela na porta fechada. Só parou quando avisaram que ela estava presa.
Cerca de 100 amigos de Luana que estudavam com ela na Escola Municipal Frederico Trotta, na Barra, fizeram uma manifestação de protesto nesta quarta-feira à tarde, no local onde a estudante morreu. Levavam cartazes para o meio da pista da Avenida das Américas quando o sinal fechava. Neles, lia-se “Nós só queremos justiça. Luana, luto”.
– Os motoristas acham que somos lixo. Só param quando tem Guarda Municipal no ponto – reclamou Jackson dos Santos Sena, colega de Luana na 5ª série. – Outro dia, um motorista dessa linha desceu para bater em um estudante.
Ressaltando que não conhece detalhes do caso, o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Oswaldo Garcia, prevê que o número de acidentes pode aumentar devido às péssimas condições de trabalho.
– Muitas vezes, o motorista é obrigado a dirigir e cobrar a passagem. Mas a empresa continua exigindo que ele faça o trajeto em determinado tempo. Se entrarem 10 passageiros e ele cobrar a passagem de todos e ainda dar troco, a viagem vai durar cinco horas. E se ele não cumprir o horário é punido.
21:12 - 01/07/2009