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Economia

Commodities agrícolas do Brasil avistam 2º semestre melhor

REUTERS

SÃO PAULO - As exportações de commodities agrícolas do Brasil possivelmente terão um segundo semestre com desempenho superior ao registrado no primeiro, uma vez que os preços das matérias-primas estão mais firmes em relação aos verificados nos piores momentos da crise, nos primeiros meses do ano.

Além disso, a tendência é de que o Brasil exporte volumes maiores de alguns produtos como carnes, café, suco de laranja e milho, mantendo ainda os embarques elevados de soja obtidos no primeiro semestre, segundo o sócio-diretor da RC Consultores Fabio Silveira, em entrevista nesta quarta-feira.

Ele ponderou, entretanto, que a economia mundial está em uma "nova bolha", que se estourar no curto prazo poderia mudar o panorama previsto para a segunda metade de 2009.

- Até março os preços estavam muito deprimidos, a média do (primeiro) semestre vai ficar reduzida. Como ingressamos no segundo semestre em patamar bem mais alto do que na média do primeiro, se não ocorrer o furo da bolha, vai ter um desempenho em dólar importante - declarou Silveira.

Ele acrescentou que, no cenário mais otimista, haveria um "saldo importante para o Brasil, um País exportador de commodities".

- Enquanto isso, os preços vão subindo e vamos ter um bom saldo comercial, de 17, 18 bilhões de dólares no Brasil, mas tendo consciência de que estamos dirigindo um carro de três rodas a 120 km/h... O superávit pode chegar a 20 (bilhões de dólares), mas é uma alta de preços tão ficcional como em 2008 - disse.

No ano passado, o superávit comercial foi de US$ 24,7 bilhões, e no acumulado de janeiro a junho, US$ 13,98 bilhões.

Silveira ressalvou ainda que, no campo das exportações de commodities brasileiras, o resultado só não deve ser mais robusto por causa do desempenho das não-agrícolas.

- Vai pesar a redução de preço do minério de ferro. São US$ 20 bilhões por ano, se tiver redução de 25% a 30%, vai pesar no segundo semestre - declarou ele.

A Vale , principal exportadora de minério do Brasil, já fechou contratos com alguns clientes estrangeiros, com queda nos preços nos patamares citados por Silveira, mas ainda não acertou com as grandes siderúrgicas da China.

Surfando na bolha

Para Silveira, na área agrícola, o Brasil deverá continuar exportando volumes expressivos de soja e derivados, como ocorreu no primeiro semestre, mas a preços mais elevados - os futuros em Chicago atingiram recentemente os maiores patamares desde o agravamento da crise financeira, em outubro de 2008.

Além disso, o analista espera uma recuperação nos embarques de carnes do Brasil ante o primeiro semestre, com maiores volumes e preços. E também prevê maiores exportações de café e suco de laranja, com a colheita agora ganhando força.

No caso do açúcar, que atingiu na bolsa de Nova York o melhor preço em três anos esta semana, a expectativa de exportações também é favorável, com a Índia, maior consumidor mundial, de volta ao mercado.

A alta de preços de produtos como soja e açúcar, entretanto, ocorre em meio a uma "mega" expansão da base monetária, ressaltou o analista, explicando que EUA, Europa e China estão imprimindo papel-moeda.

- Essa inundação de papel trouxe parte da liquidez perdida no ano passado, cria essa falsa impressão de que o pior já passou, e o mundo surfa em cima de uma nova bolha - disse.

17:08 - 01/07/2009










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