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Internacional

Honduras: Violência se propaga e deixa feridos

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Incidentes protagonizados ontem entre as forças de segurança e os manifestantes favoráveis ao retorno do deposto presidente Manuel Zelaya deixaram centenas de feridos em Tegucigalpa e se propagaram a outras cidades do país, segundo a imprensa local. Além de Tegucigalpa, registrou-se incidentes também em San Pedro Sula, a segunda maior cidade do país, e em El Progresso, cidade natal do novo presidente interino Roberto Micheletti, designado no domingo pelo Congresso para substituir Zelaya.

Em exílio na Nicarágua, Zelaya já deixou claro que não pretende acatar sua queda do poder, buscando o apoio da comunidade internacional para recuperá-lo. Hoje, ele comparecerá à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) para expor a situação de seu país após o golpe militar de domingo, que ontem recebeu a condenação generalizada dos membros do organismo.

Na capital, os enfrentamentos entre as forças de ordem que defendiam a Casa Presidencial, sede da Presidência hondurenha, e os centenas de manifestantes deixaram “feridos por todas as partes: gente, militares, polícia”, relatou um fotógrafo da AFP, que descreveu o lugar como “um campo de batalhas”. Muitos comércios fecharam suas portas na capital e mandaram seus funcionários para casa, segundo a imprensa hondurenha.

Testemunhas relataram que a policia militar lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que responderam com pedras e pneus queimados. Dezenas de jovens com barras de ferro e paus congregaram desde as primeiras horas da manhã para exigir o retorno do presidente.

Com o apoio de dois helicópteros, as forças policiais desmontaram vários piquetes que obstruíam o acesso à residência oficial e detiveram um número indeterminado de pessoas, calculado em quase 30 por organizações sociais. Aproximadamente 200 agentes desalojaram membros de agrupamentos da sociedade civil. Pelo menos oito caminhões do Exército entraram na Casa Presidencial para aumentar a vigilância dentro e nos arredores do lugar.

Na sede do Executivo, o presidente interino Roberto Micheletti nomeou sete novos ministros para seu gabinete, entre eles Enrique Ortez Colindres, chanceler da República, Gabriela Nunez, ministra de Finanças e Adolfo Lionel Sevilla, ministro da Defesa.

Durante uma reunião extraordinária em Manágua, os presidentes da América Central e República Dominicana, membros do Sistema de Integração Centro-Americana (Sica) concordaram em isolar politica, economica e comercialmente Honduras até que os golpistas restaurem o presidente deposto, Manuel Zelaya.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, convidou o presidente deposto a participar da reunião em Nova York, depois de ontem líderes latino-americanos terem liderado na reunião declarações de rejeição ao golpe em reunião de urgência do órgão.

O presidente Lula condenou o golpe, salientando que não vai reconhecer um outro governo, enquanto o Itamaraty ordenou seu embaixador a não retornar para Honduras.

Zelaya se reuniu ontem com chefes de Estado da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), formada por Honduras, Venezuela, Cuba, Bolívia, República Dominicana, Nicarágua, Equador, Antígua, Barbados, São Vicente e Granada.

Os Estados Unidos a União Europeia e a Organização de Estados Americanos (OEA) também pediram que Zelaya seja restabelecido no cargo.

– Seria um grave precedente se começarmos a retroceder à época em que víamos golpes militares como forma de transição política, em vez de eleições democrática – disse o presisdente americano, Barack Obama, em entrevista concedida ao lado do líder colombiano, Álvaro Uribe, em visita à Casa Branca.

22:00 - 29/06/2009










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