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Rio

Faculdades de jornalismo prometem adaptação

Ana Paula Verly, JB Online

RIO - O fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão por enquanto não abala os diretores das faculdades de comunicação. São as pernas dos universitários que tremem de medo de a disputa por um lugar ao sol ficar ainda mais acirrada. Migração para outros cursos e desistência ainda não figuram entre as preocupações de docentes. Antes do resultado do próximo vestibular, não há como prever o impacto do martelo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, nas salas de aula, garantem.

A julgar pela procura de interessados de outras áreas em cursos de pós-graduação em jornalismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a apreensão dos futuros jornalistas se confirma. O vice-diretor da Faculdade de Comunicação Social, Ricardo Freitas, formado em relações públicas, anuncia, para o ano que vem, mais uma opção, a fim de atender a essa demanda.

– Temos recebido ligações de gente formada em economia e ciências políticas. Vamos abrir uma pós lato sensu em jornalismo econômico ou esportivo – promete.

Nas Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), a primeira medida é promover uma semana de debates com integrantes dos órgãos representes dos jornalistas para orientar os alunos.

– Depois, é pensar em adequar as disciplinas à nova realidade. O mercado vai continuar optando pela qualificação do aluno e quem passa pela faculdade está mais qualificado. O próprio mercado vai regular esse processo, seja na mídia eletrônica ou impressa – acredita o coordenador do curso de jornalismo da Facha, Célio Campos.

Foco nas mídias digitais

Para a diretora da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ), Ivana Bentes, “a decisão encerra um processo que já apontava para a necessidade de mudanças”. Jornalismo é a única das quatro habilitações do curso de comunicação social na qual era exigido diploma para o exercício da profissão.

– O mercado e a universidade foram ampliados com as mídias digitais, o que coloca em xeque a concepção de jornalista. Alguém que se forma em publicidade e audiovisual tem condições de trabalhar como jornalista. Todos estão, ou deveriam estar, capacitados a produzir conteúdo para qualquer mídia – defende Ivana.

O diretor do departamento de Comunicação e Artes do Centro de Ensino Superior da Estácio de Sá, Hugo Santos, diz que a unidade também vai valorizar o jornalismo digital e a convergência de mídias, “dois assuntos de enorme interesse na atualidade”, em função das exigências do mercado.

– Pensamos em oferecer também cursos de jornalismo na graduação tecnológica, com menor duração, e reforçar os cursos de pós-graduação lato sensu com especializações em diversos segmentos do jornalismo – acrescenta.

A aposta da PUC continuará no desenvolvimento da capacidade crítica do aluno, que também busca a universidade para socializar com profissionais da área.

– O campo de atuação do jornalista é a emissão de opinião. Temos uma série de disciplinas de formação humanística. Só uma universidade fornece esse tipo de conhecimento e é na faculdade que os alunos passam a ter contato com os jornalistas do mercado - diz, confiante, o coordenador do curso de Jornalismo do Departamento de Comunicação, Leonel Aguiar.

Contra ou a favor da exigência do diploma, todos concordam que é urgente discutir as condições salariais e de seguridade social, principalmente dos estagiários e free-lancers, com presença maciça nas redações. No Brasil todo, há 79.923 mil jornalistas registrados e 8.486 jornalistas sem diploma. A massa profissional do mercado é autônoma e esta seria a oportunidade de os “frilas” se organizarem com novas exigências trabalhistas.

Luiza Clements, 22 anos, no sétimo período da Eco, teme que a não obrigatoriedade do diploma piore a situação e aumente a disputa por emprego.

– O mercado já é muito restrito e agora abre para muito mais gente – prevê Luiza.

Fernanda Severo, 19 anos, no terceiro período da PUC, não vai desistir de escolher a habilitação em jornalismo porque acredita na preferência das empresas por profissionais com diploma.

– Talvez no futuro isso mude. Por enquanto, as melhores empresas continuarão a exigir.

10:08 - 29/06/2009










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