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Sociedade Aberta

Só cartaz da Fifa não resolve

Cláudio Adão *, Jornal do Brasil

RIO - O racismo no futebol já era para ter sido banido há muito tempo. Foi um absurdo o que aconteceu no jogo de quarta-feira. Pior que a atitude em si foi o delegado não ter tomado uma atitude, diante dos fatos que foram relatados pelo jogador do Cruzeiro. Temos uma lei no país que torna isso crime. Não foi a primeira vez e, infelizmente, não será a última.

Na época em que eu era jogador, isso também existia. Não sou hipócrita de dizer que não me chamavam de crioulo. Mesmo depois de ser reconhecido nas ruas, entrava em locais como restaurantes, lojas, e as pessoas me olhavam de lado. A Fifa, em vez de fazer campanha com cartazes antes dos jogos, deveria criar punições severas. Estamos no século 21. Isso não poderia acontecer nem fora do futebol.

Apoio a decisão do Elicarlos de levar o caso à polícia. Mas ele deveria ter levado à delegacia os companheiros que estavam próximo a ele na hora do lance. Era importante ter testemunhas.

Outro fato que elogio foi o sangue frio que o Elicarlos teve em não reagir. Se agredisse o argentino, a culpa cairia apenas sobre ele. E ainda correria o risco de ser expulso, desfalcando a equipe em uma partida decisiva. Seria julgado como violento e não teria como provar inocência, poderiam argumentar que ele inventou a história.

Apesar de tudo, ainda é possível mudar esse quadro. Com punições duras, duvido que alguém continue ofendendo um companheiro de profissão. Tenho fé que isso um dia ainda vai acabar.

* Cláudio Adão é ex-jogador

22:26 - 25/06/2009










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