André Ricardo Araújo *, Jornal do Brasil
RIO - A confirmação de casos da gripe suína em escolas brasileiras tem preocupado pais, alunos, professores e funcionários. Entretanto, é preciso ressaltar que a propagação exponencial da infecção no Brasil é natural, por dois fatores em especial: aquisição da doença através de viagens para locais com elevada circulação do vírus e o próprio inverno, época propícia para a sobrevivência dele, e para aglomeração em ambientes fechados – o que facilita a transmissão de doenças infecciosas. A disseminação é inevitável. O que não é natural e precisa ser combatida é a propagação do pânico por conta da doença.
Até porque a taxa de letalidade da gripe suína no mundo é de 0,5%, considerada baixa pela Organização Mundial de Saúde.
Suspender as aulas em virtude de casos confirmados da doença pode ser válido, mas cada situação precisa ser analisada de forma criteriosa. Cabe às autoridades sanitárias e aos serviços de vigilância epidemiológica municipais analisar a realidade de cada escola – considerando o número total de alunos e de casos de gripe suína - para verificar a necessidade ou não de tomar essa atitude.
Dependendo da situação, as aulas podem ser suspensas para apenas um determinado turno ou turma. Se for detectado na escola ao menos um caso de óbito pela gripe suína, é apropriado que a instituição de ensino interrompa seu funcionamento por determinado período.
Como medida preventiva, professores, diretores e coordenadores pedagógicos podem redobrar a vigilância, observando se os alunos apresentam sintomas como febre, dores no corpo, tosse e contactando suas famílias e autoridades sanitárias nessas situações. Independentemente do tipo de gripe, ela deve ser tratada em casa para evitar a transmissão da doença na escola. Instituições de ensino também podem difundir o importante hábito de lavar as mãos com frequência. É aconselhável ainda desligar os aparelhos de ar condicionado das salas de aula e deixar portas e janelas abertas.
Análises têm demonstrado que o vírus da gripe suína (H1N1) é menos agressivo do que se imaginava inicialmente. Casos de gripe comum são frequentes nesta época do ano. Portanto, deve-se evitar uma histeria a cada tosse.
* André Ricardo Araújo é pediatra e infectologista
22:16 - 25/06/2009