David Moon *, JB Online
LONDRES - A Ucrânia e a Rússia discutem o status de Sebastopol, na Crimeia. No momento, a base naval russa na cidade está sob um sistema de arrendamento da Ucrânia por
US$ 100 milhões por ano até 28 de maio de 2017. Os ucranianos pressionam Moscou para aumentar os pagamentos que reflitam o uso russo de certas instalações em disputa que não estão formalmente incluídas no acordo. Os russos, por sua vez, querem estender o prazo do contrato.
A presença naval da Rússia na Crimeia começou no dia 13 de maio de 1783 quando o príncipe Potemkin, agindo em nome da imperatriz Catarina, a Grande, proclamou Sebastopol a principal base da Frota Russa do Mar Negro. Se o presidente ucraniano Viktor Yushchenko estiver certo, a rica História da soberania russa na península terminará em 2017.
Dada a aparente posição dura de Yushchenko, que exige que os russos comecem a fazer as malas e saiam da Crimea imediatamente, as chances de Moscou manter sua posição pela diplomacia pode ser vista como praticamente nula.
Mesmo assim, esse exercício de moderação e persistência não é um desperdício de energia russa. Moscou gasta tempo demonstrando a vontade de resolver a questão. Não há nada de errado em ser visto como razoável, especialmente se as opções se tornam menos razoáveis ao longo do caminho. O tempo pode estar ao lado da Rússia.
Yushchenko e/ou seu partido de coalizão Nossa Ucrânia podem fracassar ou se dividir nesse período, deixando Moscou com uma sorte inesperada de um governo mais compreensivo em relação à Rússia nas mãos do ex-primeiro ministro e atual líder da oposição Viktor Yanukovych. Mesmo que um governo mais favorável se instale em Kiev, a incerteza em relação à sua duração ainda deixa Moscou longe de uma solução ideal.
* Analista do AFI Research, no Reino Unido
00:06 - 20/06/2009