Jornal do Brasil
TEERÃ - Além de cortar o funcionamento de telefones celulares e serviços de SMS em determinadas horas, o governo iraniano reduziu pela metade a capacidade de banda larga no país para evitar o envio de imagens através da internet, e a Guarda Revolucionária – braço das Forças Armadas – ameaçou nesta quarta-feira tomar medidas contra “sites de notícias dissidentes” que encorajem tumultos nas ruas. No entanto, a despeito da censura e das ameaças, iranianos têm conseguido driblar o governo utilizando servidores estrangeiros para propagar informações na Rede e organizar novas manifestações pró-reforma.
Postando centenas de notas no Twitter, Facebook e MySpace, vídeos no YouTube e fotos no Flickr, entre outros, milhares de partidários do reformista Mir Hussein Mousavi, decididos a não deixar os protestos apesar da pressão das autoridades, voltaram às ruas nesta quarta pelo quinto dia consecutivo, para pedir novas eleições presidenciais.
Os manifestantes, sempre segundo o relato das testemunhas, já que a presença da imprensa estrangeira foi proibida nas ruas por ser considerada “porta-voz dos agitadores”, marcharam em silêncio para o norte da cidade, através de uma grande avenida, levando retratos de Mousavi, que convocou para esta quinta-feira mais uma manifestação e luto pelas vítimas da repressão. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, desde o dia da eleição, jornalistas foram detidos e pelo menos 10 estão desaparecidos.
Entre as centenas de partidários presos desde o pleito estão também quatro oficiais do Ministério do Interior, acusados de fornecer resultados diferentes dos anunciados pelos aliados de Ahmadinejad.
O procurador-geral da cidade iraniana de Isfahan, Mohamad Reza Habibi, alertou nesta quarta-feira que “alguns elementos” envolvidos nas revoltas pós-eleições no país podem enfrentar a pena de morte segundo a lei islâmica, de acordo com a agência Fars. Habibi alegou que os elementos estavam sendo controlados de fora do Irã e exortou-os a interromper suas “atividades criminais”.
Exterior
Parte da comunidade internacional continua manifestando inquietação com a crise em Teerã. A França, por exemplo, insistiu nesta quarta-feira em pedir às autoridades iranianas para que iniciem uma investigação “crível e imparcial” das recentes eleições presidenciais no país, enquanto a Alemanha pediu a libertação dos manifestantes detidos.
Apesar das poucas falas de Obama, o Ministério de Relações Exteriores iraniano convocou um diplomata da embaixada da Suíça em Teerã, a qual representa os interesses dos EUA no país, para protestar contra a atitude de Washington em relação às eleições presidenciais.
21:42 - 17/06/2009