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Internacional

Bric: emergentes buscam maioridade

Foto: AFPLula, Medvedev, Hu Jintao e Manmohan Singh Foto: AFP

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DA REDAÇÃO - Os líderes dos maiores mercados emergentes do mundo exigiram terça-feira, em sua primeira reunião oficial, mais influência no sistema financeiro global. A cúpula do Bric, termo criado em 2001 pelo economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs, Jim O'Neill, em referência a Brasil, Rússia, Índia e China, terminou com breves comentários do presidente russo, Dmitri Medvedev, e um comunicado que exigiu mais poderes para os países em desenvolvimento em instituições financeiras internacionais e na Organização das Nações Unidas (ONU).

“Estamos comprometidos em avançar na reforma das instituições financeiras internacionais para refletir as mudanças na economia mundial”, disseram os países no comunicado conjunto. “Os países emergentes e em desenvolvimento precisam ter voz e representação maiores nas instituições financeiras internacionais”.

Os países do Bric representam 15% dos US$ 60,7 trilhões da economia global, mas o Goldman Sachs prevê que, em 20 anos, não só os quatro países podem superar o G-7, como a China pode ter uma economia maior que a dos Estados Unidos.

O principal assessor econômico de Medvedev, Arkady Dvorkovich, pediu que o Fundo Monetário Internacional (FMI) amplie a cesta dos Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês) para incluir o iuan e moedas ligadas a commodities, como o rublo russo e os dólares australiano e canadense, além do ouro. Criado em 1969 pelo FMI, o SDR é formado por quatro moedas (dólar, euro, iene e libra).

– Quanto maior for nossa cooperação, mais fortes seremos – disse Medvedev. – Queremos uma ordem mundial justa.

Questões ausentes

Não foram mencionadas duas importantes iniciativas de Moscou: um papel menor para o dólar e uma moeda supranacional como reserva de valor.

– Não foi mencionada uma moeda comum ou uma nova moeda neste momento. Houve menções como 'não podemos ficar sujeitos a flutuações de uma moeda de um único país', mas também a compreensão de que essas coisas ocorrem muito gradualmente e que mudanças no sistema monetário, de maneira brusca, criariam outra crise. Mas isso foi parte indireta da discussão – disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Em artigo publicado terça-feira no jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os países do Bric chegaram à maioridade.

“Os países ricos estão dispostos a aceitar uma supervisão e controle supranacionais do sistema financeiro internacional a fim de evitar o risco de outra crise econômica mundial?”, escreveu Lula. “Estão dispostos a renunciar ao seu controle sobre as decisões do Banco Mundial e do FMI? (...) Eliminarão os subsídios que tornam a agricultura moderna inviável em muitos países em vias de desenvolvimento e deixam os camponeses pobres a mercê dos especuladores de matérias primas e doadores generosos? (...) Essas são as perguntas para as quais os países do Bric querem resposta.”

Já uma análise publicada pelo diário britânico Financial Times disse que o bloco representa um quarteto “definido pelas diferenças”, e que trata-se do “primeiro grupo multilateral criado por analistas de um banco de investimento e sua equipe de vendas”.

Próxima reunião no Brasil

Os líderes dos quatro países concluíram sua primeira cúpula com a promessa de uma maior cooperação em diferentes áreas e o anúncio de que o Brasil sediará o próximo encontro do grupo, em 2010.

A segunda cúpula, ainda sem data, é reflexo de um avanço na formalização do bloco. Estão previstos ainda encontros entre ministros de áreas como Fazenda e também de integrantes dos bancos centrais.

O documento final deixa claro também que o Bric, como grupo, apoia as aspirações da Índia e do Brasil de desempenhar um papel maior na Organização das Nações Unidas (ONU).

22:16 - 16/06/2009










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