ir direto para o conteúdo buscar notícias ir direto para as editorias

Jornal do Brasil - O primeiro jornal brasileiro da internet



Rio

Manifestação condena ataque a reduto cigano

João Paulo Aquino, Jornal do Brasil

RIO - Imagens quebradas, cortinas rasgadas e cacos de vidro no chão. O templo cigano Tsara Antal Kóczé, na Freguesia, em Jacarepaguá (Zona Oeste), depredado na última quinta-feira, permanecia inalterado neste domingo, quando aconteceu uma manifestação em frente ao prédio. O objetivo foi pedir a união dos credos e o combate à intolerância religiosa. O diretor do templo suspeita que ação tenha sido executada por “maus evangélicos”. O ministro da Igualdade Racial, Édson Santos, esteve no ato.

Segundo o diretor do templo, Joelmir Armendro, o imóvel onde ele funciona é alugado e abrigou uma igreja evangélica por aproximadamente cinco anos. O santuário cigano chegou ao endereço há apenas 36 dias.

– Durante as reformas, e até pouco tempo atrás, vinham vários fiéis evangélicos aqui e muitos deles reagiam de maneira agressiva e ficavam revoltados ao saber que agora funciona um centro esotérico nesse local – disse Joelmir.

O diretor cita o ataque às imagens de santos e a depredação total de uma estátua de Nossa Senhora Aparecida como indícios de que o autor do crime seja ligado à igreja evangélica, que não aprova o culto a imagens, embora as investigações da 32ª DP (Taquara) – onde o caso foi registrado – não apontem suspeitos, até o momento.

Nenhum objeto foi roubado, mesmo com o templo guardando cordões de ouro, quadros e outros objetos de valor.

A pena para intolerância religiosa varia de um a três anos de prisão, sem direito a fiança, com base na Lei 7716/89 (Lei Caó).

Acompanhadas por um caminhão de som, cerca de 80 pessoas participaram da manifestação, na qual foi dada bênção das novas imagens a serem postas no templo. Em frente ao prédio, na Estrada do Gabinal, seguidores de vários credos, principalmente dos de origem africana, fizeram um ritual.

De acordo com Édson Santos, a resolução do caso depende da investigação policial. Ele defendeu que os autores sejam “exemplarmente punidos” para que outros fatos de mesma natureza não se repitam no Rio.

– Isso (o ataque ao templo) é um sinal positivo; estamos (minorias religiosas) avançando e incomodando – declarou o ministro.

O deputado federal Carlos Santana (PT-RJ) citou São Paulo como exemplo a ser seguido. De acordo com ele, o estado aprovou uma lei que além de prisão, impõe multa para intolerância religiosa. Outro progresso, segundo o deputado, é a criação de uma delegacia especializada nesse tipo de crime.

20:54 - 14/06/2009










Edição eletrônica







Jornal do Brasil - O primeiro jornal brasileiro da internet

© 1995 - 2009. Brasil Mídia Digital