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Rio

Satélite vai monitorar desmatamento semestral

Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O Rio de Janeiro vai ganhar, dentro de três meses, um sistema de monitoramento que vai detectar o desmatamento nos maciços da Tijuca e da Pedra Branca com margem de erro de no máximo três metros. Um software foi desenvolvido na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio e acoplado às fotos tiradas pelo satélite Iconos, que passa sobre o Rio uma vez por mês, sempre às 10h30.

– Vamos monitorar a expansão e a retração da floresta – explica o professor do Departamento de Geografia da PUC, Luiz Felipe Guanaes. – De seis em seis meses, poderemos comparar as imagens, que estarão disponibilizadas num site. Queremos fazer da população nossa parceria para pressionar autoridades e políticos contra o desmatamento.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Secretaria Estadual de Ambiente, que contratou os estudos do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC, firmaram convênio para este projeto piloto. A Federação das Indústrias do Rio (Firjan) também apoia a iniciativa. A meta é que ela seja estendida aos 3 mil municípios brasileiros onde a Mata Atlântica está ameaçada.

– A ocupação formal da mata nós ainda conseguimos coibir com as leis, mas a informal precisa ser identificada no início, por isso esperamos contar logo com esse sistema – diz o chefe substituto do Parque Nacional da Tijuca, Bernardo Issa.

O monitoramento por satélite está condicionado às condições climáticas, pois é preciso que as fotos tenham visibilidade. Nas últimas três passagens do Iconos sobre o Rio, porém, o tempo estava nublado.

– Já era previsto no projeto. Por isso, projetamos a atualização dos relatórios a cada seis meses – conta Felipe Guanaes.

“Formiguinha”

O professor fala das dificuldades de se conter o desmatamento numa floresta como a da Tijuca, a maior em área urbana no mundo.

– A cidade em volta faz uma pressão difusa, de formiguinha, mas vamos poder detectar até o corte de umas poucas árvores e as autoridades municipais terão mais tempo de agir.

Se o corte for acima da cota de 100 metros de altitude, o sistema vai delatar e o infrator estará sujeito às punições.

– Se ele cortar duas míseras árvores, isso vai aparecer na imagem – assegura Felipe Guanaes.

20:29 - 13/06/2009










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