Agência ANSA
CIDADE DO VATICANO - O jornal L'Osservatore Romano, editado pela Santa Sé, afirmou nesta segunda-feira que a baixa afluência de italianos que participaram nesse domingo das eleições para o Parlamento Europeu se deve às discussões relacionadas à vida pessoal do premier Silvio Berlusconi.
O diário indicou, contudo, que "o dado italiano sobre afluência está entre os mais altos da Europa, o que induz a uma reflexão sobre a necessidade de recuperar a força dos ideais do continente, como já foi dito várias vezes pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, e por bispos do país".
Segundo estimativas oficiais, 66% dos italianos foram às urnas, enquanto em todo o continente a participação média atingiu apenas 43%, menor nível desde a criação da União Europeia (UE).
Nas últimas semanas, uma série de episódios vinculados à vida pessoal de Berlusconi conturbaram a cena política italiana.
No mais recente deles, ocorrido na sexta-feira (5), o jornal espanhol El País publicou fotos de festas realizadas na mansão mantida pelo primeiro-ministro na Sardenha.
As imagens mostravam mulheres seminuas, um homem completamente nu e o próprio Berlusconi na companhia de alguns de seus convidados.
Apesar disso, o partido do premier, o Povo da Liberdade (PDL), reuniu mais de 35% dos votos e se consolidou como a principal sigla italiana.
Ao se referir ao desempenho da Liga Norte, partido de extrema-direita que obteve 10,2% dos votos e ficou com nove cadeiras no Parlamento Europeu, o L'Osservatore Romano disse que o resultado foi possível com a "capitalização dos efeitos de medidas governamentais relacionadas à imigração e à segurança".
Diante do crescimento das forças de direita e centro-direita na grande maioria dos países europeus, o jornal chamou a atenção para a "investida de partidos declaradamente hostis à integração, de orientações nacionalistas e xenófobas".
Na Itália, o governo intensificou nos últimos tempos suas políticas para coibir a imigração ilegal. Uma das principais afeta embarcações de estrangeiros interceptadas no mar. Nestes casos, as pessoas são mandadas para a Líbia.
Além disso, o país aprovou uma nova lei que criminaliza a presença de imigrantes clandestinos em seu território e dificulta seu acesso a serviços públicos.
20:34 - 08/06/2009