Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Dez pessoas foram presas em flagrante, nesta segunda-feira, com imagens de pornografia infantil durante operação da Polícia Federal que investiga o uso da rede de relacionamentos Orkut para troca desse tipo de material. As fotos constavam de perfis do Orkut e mostram crianças de até 12 anos em situações de abuso, com adultos ou outras crianças. Parte delas é estrangeira e outra é brasileira. O Brasil está entre os quatro países que mais consome pornografia infantil, segundo a PF.
A investigação se baseou nos primeiros dados com imagens de teor pedófilo fornecidos pela Google Brasil, após quebra de sigilo pela CPI da Pedofilia. A Operação Turko (anagrama da palavra Orkut) cumpriu 92 mandados de busca e apreensão em 20 Estados e no Distrito Federal. Cinco prisões ocorreram em São Paulo, duas no Rio Grande do Sul, uma no Espírito Santo, uma na Paraíba e uma em Pernambuco.
Os 10 presos foram encontrados com material de pedofilia em varredura superficial da PF nos computadores. Outras pessoas ainda podem ser presas após análise mais detalhada.
A investigação envolve dois crimes: divulgação do material na internet e posse do material, com pena de um a quatro anos. A investigação considerou apenas denúncias feitas até março de 2008. Outros 18.331 perfis estão atualmente em análise e vão desencadear as operações Turko 2, 3 e 4, segundo o procurador do Ministério Público paulista Sérgio Suiama.
A investigação foi feita em conjunto com a promotoria paulista, a ONG Safernet, autora das denúncias, e a CPI da Pedofilia do Senado. Em abril de 2008, a comissão obrigou a Google a fornecer dados de 3.265 perfis denunciados por promoverem pornografia infantil. Desses, 805 realmente tinham material impróprio.
Falta cooperação
Representantes da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da CPI da Pedofilia do Senado criticaram nesta segunda-feira os provedores de internet que se recusaram a assinar o termo de cooperação com a PF que permite identificar os endereços dos computadores que divulgam imagens de pornografia infantil no Orkut. A PF estima que o número de prisões seria muito maior se houvesse mais cooperação dessas empresas.
Para conseguir identificar os computadores que divulgam as imagens pornográficas, a PF solicita à Google Brasil (que administra o Orkut) informações sobre o perfil do suspeito de pedofilia. A polícia também pede formalmente ao provedor da internet as informações sobre o IP (protocolo da internet) por onde a imagem foi incluída na rede.
– As operadoras afirmam que essa mudança demanda gastos e problemas, mas por que as outras três assinaram? Não é possível que a metade das operadoras fizeram essa mudança e a outra metade não fez – reclamou o senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pedofilia.
Ao lado de delegados da PF que investigam crimes de pornografia infantil na rede mundial de computadores, Malta disse que o número de prisões de pedófilos será muito maior se as telefônicas aumentarem o tempo de armazenamento dos dados dos clientes.
O delegado Carlos Eduardo Sobral, da unidade de repressão a crimes cibernéticos da Polícia Federal, disse que as empresas têm tecnologia para permitir a identificação dos IPs de computadores de pedófilos. – O que falta é investimento – afirmou. Na prática, para atender à demanda da PF, as empresas telefônicas têm que aumentar a capacidade de armazenamento de dados dos clientes para permitir a identificação de crimes cibernéticos. (Com agências)
22:07 - 18/05/2009
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