Jornal do Brasil
RIO - Os 905 alunos da Escola Municipal Presidente Médici, em Bangu (Zona Oeste do Rio) não tiveram aulas ontem. O prédio foi arrombado, no último final de semana. Pias quebradas, torneiras roubadas e um freezer jogado no chão com alimentos espalhados surpreenderam professores e estudantes que se dirigiam às salas na manhã de segunda-feira.
De acordo com relatos dos funcionários, foi a sétima vez que o prédio foi alvo de violência. Os criminosos interromperam até o fornecimento de água e levaram dez escadas de madeira, cinco torneiras além de suportes para câmeras.
Peritos da Polícia Civil fizeram a análise do local e buscaram pistas dos criminosos. O clima era de tensão e revolta entre os vizinhos, alunos, professores e demais funcionários da escola.
De acordo com resultado preliminar da investigação, os bandidos entraram pelo telhado, pois algumas telhas foram encontradas fora de posição.
A Guarda Municipal (GM) informou que, desde o dia 11 deste mês, dois guardas patrulham o colégio de segunda a sexta-feira, durante o horário das aulas. Ainda segundo a GM, o policiamento nas escolas do município é feito pelo Grupamento de Ronda Escolar, cujo efetivo conta com 210 agentes e 38 veículos.
Em nota, a secretária municipal de Educação, Claudia Costin, considerou lamentável e inadmissível o ato de vandalismo. Ela lembrou que as escolas da rede municipal são espaços públicos sempre abertos a toda a comunidade.
No prédio, eram ministradas aulas para alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.
A Secretaria Municipal de Educação ainda não contabilizou os prejuízos, mas divulgou que terça-feira o funcionamento da escola e as aulas voltam ao normal.
Um dos ataques à escola ocorreu em abril de 2004. O colégio foi, também, invadido e depredado. Os vândalos espalharam lixo pelo chão, bebedouros foram arrancados e retroprojetores destruídos.
Segura pela lei
Para evitar episódios como do final de semana, o prefeito Eduardo Paes sancionou, no dia 22 de abril, a lei nº 5003/09. De autoria do vereador Adilson Pires (PT), o projeto determina que as escolas municipais sem os serviço de vigias ou zeladores deverão ter o apoio da Guarda Municipal.
– Esse fato é mais comum do que parece – relata Adilson Pires. – Existem muitos episódios de roubos, principalmente de televisores e DVDs, além do fato de as escolas serem usadas para consumo de drogas e prática de sexo.
O parlamentar chama atenção para a necessidade de um planejamento inteligente da ronda. Ele aponta a supervisão em horários diferentes e o trabalho junto com os vizinhos como alternativas. Assim, qualquer movimentação estranha pode ser avisada à guarda. Das 1.062 escolas municipais da cidade, 750 têm funcionários residentes.
22:00 - 18/05/2009