Camilla Lopes, Jornal do Brasil
RIO - O superintendente da concessionária Barcas S/A, Flávio Almada, atribuiu os últimos incidentes ocorridos nas estações administradas pela empresa a um contrato de concessão realizado em 1998 e a uma dívida de R$ 126 milhões não paga pelo governo do estado. Segundo Almada, a concessionária opera com prejuízos e, por isso, sem o apoio do governo do estado, não pode investir em infraestrutura e na compra de novas embarcações. No entanto, Almada afirmou que as embarcações passam por constantes manutenções.
Durante a visita de integrantes da CPI das Barcas segunda-feira ao estaleiro da empresa, em Niterói, com as presenças do secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, o superintendente da Barcas S/A informou que terça-feira as embarcações transportam 80 mil passageiros por dia no trajeto Rio-Niterói. Ele culpa a crise financeira internacional pelo aumento na demanda de usuários nos últimos meses.
– A crise faz com que as pessoas usem as barcas, já que é mais barato, e há também o fluxo intenso da ponte, que faz com que o usuário opte pela travessia marítima.
Acidente em Paquetá
Flavio Almada não quis responder à pergunta do presidente da CPI das Barcas, Gilberto Palmares (PT-RJ), sobre qual teria sido o motivo do acidente ocorrido em novembro do ano passado com o flutuante da estação de Paquetá, que desabou jogando cerca de 20 passageiros na Baía de Guanabara. O superintendente assegurou que a concessionária tem uma equipe técnica só para cuidar desse tipo de estrutura. A reticência da concessionária sobre o incidente, porém, deixou o presidente da CPI insatisfeito com o resultado da visita.
– Pude observar que eles estão tecnicamente preparados, mas infelizmente o superintendente não respondeu à minha pergunta sobre o flutuante – disse Palmares, que pretende ainda incluir o laudo da Capitania dos Portos sobre o episódio de Paquetá no relatório da CPI.
E são os terminais da Barcas S/A que mais preocupam a Secretaria Estadual de Transportes.
– A questão do embarque e desembarque nos preocupa muito devido à superlotação – afirmou o secretário Júlio Lopes, que também criticou o contrato de concessão elaborado pelo governo de Anthony Garotinho, em 1998.
Sem entrar em detalhes, o secretário assegurou que o contrato foi mal elaborado e, por isso, lesou o estado e a Barcas S/A. Júlio Lopes informou que o governo do estado deve viabilizar o empréstimo prometido pelo governador Sérgio Cabral após o quebra-quebra ocorrido no terminal da Praça 15 antes do feriadão da Semana Santa, no mês passado. O financiamento de R$ 8 milhões, segundo o secretário, seria destinado à compra de duas embarcações para o trajeto Rio- Niterói, uma para Rio-Paquetá e outra para Angra-Ilha Grande. Até o momento, o dinheiro ainda não foi liberado.
Poluição é perigosa
A sujeira da Baía de Guanabara pode ser perigosa para as barcas que trafegam ali diariamente. De acordo com o engenheiro mecânico da Barcas SA, Benesvaldo Mello, dois sacos plásticos que entram no sistema de refigeração do motor da embarcação podem parar uma barca.
22:00 - 18/05/2009