David Moon *, Jornal do Brasil
RIO - O presidente americano, Barack Obama, aproveitou a tese de Sam Walton ao repelir quaisquer pré-condições nucleares para engajamento diplomático com o Irã. Depois de deixar três rodadas das sanções do Conselho de Segurança da ONU na esperança de atingir o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, Obama vê a liderança israelense desconfiada de que tipo de concessões virão e a que custo.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também descobriu o benefício da estratégia de recuo de Sam Walton como uma ferramenta de negociação ao se recusar a reconhecer a “solução de dois Estados” do ex-presidente americano George Bush para a Terra Santa adotada recentemente por completo pelo ex-premier Ehud Olmert.
Netanyahu propõe, em vez disso, um teste em três níveis para a Autoridade Nacional Palestina que mede sucesso político, econômico e de segurança. O abismo entre o Hamas e o Fatah representado pela liderança frágil do presidente Mahmoud Abbas assegura que a parte política é avaliada como fracasso.
A parte econômica dá sinais de recuperação na Cisjordânia com o melhor Natal em anos. Quanto à segurança, os EUA treinaram forças de segurança da ANP de acordo com a Força de Defesa israelense, para suprimir e em alguns casos arrancar o Hamas do país.
Apesar de o relacionamento positivo entre paz e prosperidade ser demonstrado na Cisjordânia, Gaza – controlada pelo Hamas – de novo fracassa para atingir um ambiente que promova paz ou outras questões positivas.
Netanyahu espera unir o mundo árabe e o Quarteto – EUA, UE, Rússia e ONU – com um plano para construir as estruturas econômicas e de segurança necessárias para a ANP ser uma preocupação constante na Cisjordânia.
Quanto ao Hamas, Khaled Meshal, líder político em Damasco, também espalha sua própria teoria de recuo que é um pouco mais do que oferecer a Israel 10 anos de paz antes da próxima rodada de terror começar. É claro que se o Irã virar uma potência nuclear antes de 10 anos, um Hamas revigorado vai imediatamente retornar à situação atual para destruir Israel.
Obama e Netanyahu estavam em rota de colisão na reunião no Salão Oval de ontem, verdadeiro teste para o relacionamento entre EUA e Israel. O presidente americano parecia disposto a perseguir sonhos de uma grande barganha no Oriente Médio que incluia Irã, Síria e Líbano inspirada pelas reflexões de Henry Kissinger sobre Metternich com o Quarteto desempenhando o papel da 6ª Coalizão na última adaptação do Congresso de Viena.
O sonho de Obama requer herois e vilões, vencedores e perdedores. Se as recentes negociações de Obama com Wall Street, General Motors e Chrysler podem dar uma pista, os vencedores são Obama e/ou seus amigos políticos. Netanyahu, por sua vez, está determinado a manter Israel na posição de vencedor e depois de heroi.
O problema envolvendo a segurança de Israel é como seu arsenal nuclear se encaixará nas negociações para a grande barganha de Obama. Por isso quando a secretária de Estado assistente, Rose Gottemoeller, mencionou na ONU que os EUA esperam que, um dia, Israel faça parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, mais do que apenas um copo se quebrou na Baía das Tartarugas.
Pode-se dizer que os israelenses não estão muito acostumados a ouvir uma secretária assistente americana qualquer falar publicamente da questão nuclear de Israel, mas há sempre uma primeira vez, e o apelo público de Obama deve ser necessário dessa vez.
* analista do AFI Research, no Reino Unido
21:41 - 18/05/2009