Carlos Braga, Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil
RIO - Caminhar pelas calçadas da cidade pode não ser tão simples quanto parece. Sobram obstáculos e é preciso muita atenção para não tropeçar em restos de postes e fradinhos arrancados, canos de ferro e canteiros mal posicionados; torcer o pé em buracos; ou dar topadas nas bolas de cimento do Rio Cidade.
– Dei um chute numa daquelas bolas que meu pé ficou roxo. Aquilo é um absurdo – reclama Denise Porto, 24, universitária e moradora e Ipanema.
Segundo a Secretaria Municipal de Obras, quando o mobiliário urbano danificado está em área abrangida pelo projeto Rio Cidade, a Coordenadoria Geral de Conservação fica responsável pelo reparo. No caso, da bola, não do pé da estudante.
os frades ou jardineiras nascem com uma função nobre: impedir que carros estacionem sobre a calçada. Mas são tantos que acabaram tornando o passeio um campo minado.
– Aquilo é um perigo para os homens - diz o corretor de imóveis Carlos Roberto Nunes, 39, apontando para um dos muitos canos de ferro fincados na calçada da Visconde Pirajá e em outras ruas da Zona Sul e Norte. – Fica bem na altura do... meu atributo masculino.
Para instalar jardineiras ou frades, é necessária autorização da Fundação Parques e Jardins (vinculada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente). Ainda assim, segundo a Secretaria de Obras, há um padrão a ser observado.
E, se o cidadão não gostou da cabeçada que deu, sem querer, em alguma placa de sinalização baixa, como as do Rio Rotativo, deve procurar a CET-Rio (que pertence à Secretaria Municipal de Transportes) para se queixar. Ainda segundo a Secretaria de Obras, a Coordenadoria Geral de Conservação fiscaliza diariamente as ruas da cidade para identificar os reparos necessários.
Para o professor Cezar Honorato, cientista social especializado em urbanismo e presidente do Observatório Urbano da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Rio é uma cidade repleta de obstáculos. Segundo Honorato, há dois tipos desse entrave, um deles causado pela própria população.
– É uma questão de fiscalização das posturas. Um síndico bota um vaso de planta na calçada, vem uma pessoa em cadeira de rodas e não consegue passar – critica Honorato.
O outro tipo é originado por um acúmulo de obstáculos ao longo dos anos e governos. Equipamentos urbanos instalados em determinada época, adequados para a função exigida, mas que se tornaram obsoletos. Em vez de serem substituídos por outros mais adequados, simplesmente convivem no mesmo espaço com os substitutos, mais modernos.
– Em Niterói, há um lugar que tem quebra-mola, sinal e radar. Vai ficando uma coisa redundante, uma sobreposição, e só piora. Há muitos postes mal colocados também – lista Honorato.
Conservação
Quanto aos buracos nas calçadas, ou as elevações do piso provocadas por raízes de grandes árvores, a Coordenadoria de Controle Urbano já começou a agir. O primeiro alvo foram as ruas do Centro, como a Sete de Setembro, onde é difícil caminhar sem cair em alguma armadilha.
Há 12 dias, uma operação conjunta com a subprefeitura do Centro notificou cerca de 30 estabelecimentos, que serão obrigados a cuidar da calçada em frente.
– Isso aqui é uma vergonha. Já quebrei um salto – reclama a advogada Ione Melo, que trabalha na Rua Uruguaiana.
Se os estabelecimentos notificados não reformarem as calçadas em 30 dias, serão multados em R$ 484,27.
20:22 - 25/04/2009