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Rio

Fashion Rio em reconstrução

Iesa Rodrigues, Jornal do Brasil

RIO - O Fashion Rio, maior evento de moda da cidade, ganha um novo olhar. Um olhar paulista, graças à troca de Eloysa Simão por Paulo Borges. A novidade foi anunciada sexta-feira, na sede da Firjan, sem a presença do presidente da instituição, Eduardo Eugênio Gouvea Vieira, nem da própria Eloysa, avisada da mudança na véspera, por meio de uma carta.

Em compensação, Paulo Borges, diretor e criador da São Paulo Fashion Week, interrompeu as férias na Bahia, vestiu uma camisa xadrez por cima de várias guias (colares de proteção) e contornou as perguntas da plateia, sem detalhar grandes modificações no projeto.

A troca já vinha sendo costurada (afinal, é um evento de moda) há algumas semanas, e afinal a Firjan fechou a parceria com o grupo InBrands, constituído em 2007, a partir de recursos do Pactual Capital Partners. Parceria esta que em linguagem empresarial significa um contrato de 10 anos como gestores do Fashion Rio, começando agora, na edição do verão 2009/2010, marcada para 7 de junho. Em princípio não estão previstas mudanças na agenda, nem de marcas que desfilam. Da equipe de produção original fica Zee Nunes, que costuma assinar a maioria dos desfiles no Rio e alguns em São Paulo.

Para Eloysa Simão, a troca não significa grandes perdas financeiras, já que algumas edições costumavam exigir investimentos da sua empresa, a Dupla, para fechar as contas. Para Paulo Borges, que nunca escondeu a vontade de ocupar um lugar na agenda de lançamentos no Rio, o momento é de pensar a médio prazo.

– Um evento se firma em 30 anos. Já estamos com 14, na metade do caminho – comentou a caminho do aeroporto do Galeão, para voltar para Salvador.

Estes 14 se referem às semanas de moda que Paulo dirige em São Paulo, mas ele já conta como integrantes do projeto único de moda brasileira.

– Os acordos estavam fechados na semana passada, no âmbito da Firjan e InBrands. Como a minha empresa, a Luminosidade, faz parte do grupo, e também sou sócio dele, fui chamado para fazer o Fashion Rio – explicou, avisando que trará para o Rio toda a estrutura de operações que mantém na São Paulo Fashion Week, a capacidade de captação através do site, da revista e do jornal diário. E o elenco de marcas, continuará o mesmo?

– Provavelmente. A discussão é em torno da convergência de qualificação. Tenho um olhar de moda que é meu. E uma exigência de qualidade e talento.

A Marina da Glória deve ser outra possibilidade de continuação.

– Até porque é um lugar lindo, deve ser um ponto de partida. Se acharmos outros lugares viáveis neste prazo, podemos usar. Mas é bobagem mudar de um lugar para o outro só para mudar.

Nada está muito certo, como se nota pelas respostas. Montar uma semana de moda em pouco mais de um mês é uma tarefa complexa, mesmo para quem tem prática. Os frequentadores das seletas platéias de convidados devem reservar alguns dias prováveis para o começo dos desfiles, já que a data prevista, 7 de junho, talvez seja antecipada para o dia 5, a pedido da Firjan.

Fashion Business

O Fashion Business, um dos pontos fortes do Fashion Rio por reunir produtos criados e confeccionados por pólos artesanais ou produtivos de moda, pode ficar de fora no novo formato, já que esta bolsa de negócios é de propriedade das empresas Dupla e Escala. Sexta-feira foi um dia de perguntas ansiosas e respostas vagas, pela rapidez com que as negociações foram feitas. Eloysa Simão evitou comentar, ainda surpreendida com a maneira inesperada como foi comunicada da mudança. Paulo Borges, na sua habitual animação, mesmo tendo perdido o voo para Salvador por causa das reuniões na Firjan, definiu seu ponto de vista.

– O grande ponto desta logística é o caminho da unificação, ter uma voz uníssona para a moda brasileira.

A voz e o olhar de Paulo Borges.

23:07 - 17/04/2009










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