Carlos Lemos* , Jornal do Brasil
RIO - O futuro do jornalismo e dos jornalista está no celular. Imagem, som, tudo estará lá. Tanto a informação mais curta, que hoje os jornais estão adotando, quanto a mais aprofundada, que alguns programas de TV produzem, tudo estará naquela caixinha chamada celular. A um clique do consumidor.
O jornalismo nunca vai acabar. O jornalista será cada vez mais importante, de agora até o futuro. E como sempre, desde os mais remotos tempos imemoriais, o mais importante dos jornalistas é o repórter. Porque sem ele não há editorial, não há crônica, não há nada. Se não houver um repórter para catar a notícia, um jornal não tem nada. Nada. Sai tudo em branco no dia seguinte. O dia que acabarem com o repórter é porque terá acabado o mundo.
A sociedade e o homem moderno vão precisar cada vez mais de informação. Mas é uma informação diferente daquela que se tinha até um tempo atrás: é, essencialmente, uma informação rápida. E onde ela estará mais à mão? No celular. Está acontecendo algo, já estará quase simultaneamente no seu celular.
No formato atual, com o suporte de papel, o jornal acabou. Ou, pelo menos, está condenado à morte. Não vai conseguir subsistir. Só para citar um motivo: a questão ecológica. Para se fazer uma única edição, quantas árvores é preciso derrubar? Outro exemplo era uma piada grosseira que se falava nas redações há algum tempo: o jornal ia se manter porque ninguém poderia carregar o laptop para o banheiro. No futuro, haverá uma tela de computador bem à sua frente no banheiro.
Quando isso vai acontecer? Não sei, não sou pitonisa. E, vejam, isso não quer dizer que as marcas ou as empresas vão acabar. No banheiro mesmo você vai clicar na tela e pedir para ver o JB. Quer ver a página 3, é só clicar. Quer a primeira página, quer o esporte, vai estar tudo lá. Diagramado como um jornal, com a mesma abordagem do jornal, só que num ambiente virtual. Pode demorar um pouco, até porque os mais velhos ainda têm dificuldade com o tamanho das letrinhas do celular. Mas vai chegar.
Esse processo já começou. Qualquer um pode publicar uma foto tirada de um celular. Quantas vezes você já não viu a TV exibir uma imagem captada por alguém na rua com um celular? Recentemente uma emissora exibiu imagens da queda da turbina de um avião em Manaus, feita por um anônimo. Naquele instante, não se sabia do avião, seguiu-se a viagem, alguém se machucou. Tudo isso viria muito depois. Mas a queda da turbina, o fato principal, estava divulgada poucos minutos depois de acontecer.
Vou mais além. Um dia, até a televisão vai acabar. Nos moldes em que a vemos hoje, vai desaparecer. Por que? Porque é no celularzinho que vai estar tudo. Eu fui professor de jornalismo durante muitos anos, e tinha um preconceito, que acabava passando aos alunos da época: comunicação não existe, o que existe é jornal. Agora, o que vai existir é só a comunicação. O que não vai existir é jornal.
*Jornalista
11:33 - 18/04/2009