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Rio

Estudantes protestam contra comemoração militar do Golpe de 64

João Paulo Aquino, JB Online

RIO - Em vermelho sangue, a mensagem "Festa dos Assassinos" escrita em pedras portuguesas da calçada era acompanhada de gritos, faixas e muita revolta. No salão nobres do Clube Militar, nesta terça-feira, generais, brigadeiros e almirantes comemoravam o aniversário da, chamada por eles, Revolução Democrática de 31 de março de 1964. Do lado de fora, cerca de 40 estudantes protestavam vigiados por aproximadamente 20 policiais militares, alguns seguranças e dois soldados.

– Ditadura não tem que ser comemorada. São milhares de vítimas, centenas de desaparecidos e mortos, muita gente torturada. A gente merece pedido de desculpas – reclamava o presidente da União da Juventude Socialista, Igor Bruno de Freitas que pede a abertura dos arquivos da época.

No salão nobre do edifício na Avenida Rio Branco, uma conferência apresentava o desenvolvimento econômico brasileiro nas décadas de 60 e 70 e três placas estampavam os nomes de 126 vítimas que lutaram no lado dos militares.

– Estamos comemorando o movimento que evitou uma ditadura (comunista) – pontuou o general Gilberto Figueiredo, presidente do Clube Militar. – Eles (estudantes) têm todo o direito de se manifestar e de interpretar como querem, é o direito à liberdade.

Os estudantes perguntavam a todos os que tentavam sair do prédio por Honestino Monteiro Guimarães, ex-presidente da UNE, desaparecido em 1968. Alguns militares saiam pela porta da frente e eram xingados de fascistas, assassinos e terroristas.

O contra-almirante Antônio Carlos Amendoeira respondeu aos estudantes, o bate-boca aumentou a tensão. Policiais tiveram de escoltará-lo até a entrada do metrô.

Pela saída lateral na Rua Santa Luzia, para evitar contato com os manifestantes, o general da reserva Lessa defendia o período militar.

– Foram os anos áureos do Brasil, tivemos maior desenvolvimento econômico e social de toda história.

O estudante de música Luiz alves, 20 anos, recebeu o convite via e-mail e foi protestar por conta própria.

– Esse evento é como comemorar Holocausto, são as páginas negras da história brasileira – esbravejava o estudante que vestia uma máscara de burro e carregava um cartaz escrito "Pai, afasta de mim esse cálice".

19:41 - 31/03/2009










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